quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Universidade 100% Brasil


Iniciei finalmente as gravações das minhas entrevistas e tive a grata surpresa de conhecer Carlos, empreendedor, comerciante e piloto de rally, dono do 100% Brasil, um dos mais badalados points bregueiros do Recife. Pessoa extremamente simpática e impressionantemente inteligente.

Começamos falando do início da trajetória da casa de show que há 30 anos era um restaurante chinês "China Brasil", com apenas um caixa de som no teto e um ano após ser comprada se transformou no maior reduto da música popular (alguns vão querer me matar, porque Nem Caetano, nem Gil, muito menos Vanessa, Zeca nem Chico César passaram nesse palco)mas voltando ao popular, popular por alcance, popular por origem, popular de fato! Hoje a casa tem 10 toneladas de equipamentos de som, um palco de 50m² disputado a tapa por quem está começando no gênero, mas não é pra qualquer um não, tem que ter um certo nível pra subir no palco do 100% Brasil, em respeito ao público a banda tem que ter qualidade.

Nesses últimos 10 anos se testemunhou o sucesso de mais de mil bandas e o fim de muitas outras, muitas delas surgem e desaparecem antes de completar um ano. "_ Os 15 minutos delas, são realmente 15 minutos! Raramente uma banda dura mais de seis meses." Segundo o próprio Carlos isso se atribui ao tamanho do ego e falta de estrutura para lidar com a "fama repentina", quando uma banda explode nas paradas logo se sente muito importante deixa de atender telefones, aparecem empresários e produtores que se atravessam nas negociações, cobram preços exorbitantes, esquecem que no início quando precisam a gente ajuda, abre a casa, mas logo perdem a humildade e a origem, se negando a ter contato com o público esquecendo que é o público que compra seu disco e paga o ingresso do seu show. Não adianta que hoje você toca pro rico, amanhã o rico troca você por outro e você fatalmente vai ter que voltar a tocar para o público que você esnobou e se negou a dar autógrafos, a fazer fotos...

Hoje na sua casa tem show de Brega todas as quintas, com 04 bandas por noite, média de público varia entre 1000 e 1200 pessoas, mas já chegou a botar 2000, elas pagam R$8,00 de ingresso e consomem percapita R$100,00 em bebida/comida. É o maior vendedor de cerveja Nova Schin no Brasil, seu recorde é de 250 grades de cerveja numa noite. Paga (a vista) em média R$ 1000,00 pelo show, oferecendo todos os recursos de luz, som e publicidade, anuncia semanalmente em rádio, lambe-lambe e carros de som e trio elétrico. Quem nunca ouviu: " É HOJE... NO 100% BRASIL" Gasta mensalmente R$ 12mil em publicidade, hoje gasta muito mais que na época que tinha mídia gratuita na Tv nos extintos programas de Brega.

Acredita que o Brega caiu muito no mercado e nas tvs depois do envolvimento de um apresentador (que por razões jurídicas não comvém dizer seu nome)com abusos sexuais e corrupção de menores. Que para ele era a pessoa que movimentava o mercado com seus shows e caravanas, onde levava as bandas para fazer shows quase grátis, segundo ele "Em troca da galinha" que significa apenas uma ajuda de custo.Com a queda do apresentador caiu junto o Brega, pois era naquele programa e nos outros do mesmo gênero que as pessoas tomavam conhecimento das músicas, das bandas e dos shows. Mesmo assim o Brega ainda é mais importante que o pagode, o forró. Algumas bandas até se acabaram por isso.

Ali trabalham 50 pessoas nos shows das quintas-feira, mas o mercado que movimenta é muito maior pois do lado de fora, na rua, o shopping formado pelos ambulantes gera muitos outros empregos indiretos, talvez não se possa considerar empregos, mas é geração de renda e sustento de muitas famílias.

Para ele o que determina o sucesso e o fracasso de uma banda é a falta de profissionalização, falta de orientação para o mercado, músico já tem fama de irresponsável, "_Mas esse pessoal de banda é muito desorganizado, tem dificuldades financeiras, são muito pobres,mora em morro, tem dificuldades para comer, para se vestir, se vestem mal, poucas bandas tem um "fardamento legal", um gardarroupa legal. Isso dificulta muito a situação das bandas se manterem no topo".

Nas próximas semanas estará promovendo as festas dos melhores do ano, e o natal sem fome, as quais farei a cobertura e os deixarei informados. Quem será o melhor do Brega este ano??? Façam suas apostas...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cordeiro, o paraíso das amantes...

Está um pouco atrasado, por que esta semana está supercorrida, mas tá valendo!

Passei a noite do sábado no parque de exposições do Cordeiro entrevistando as pessoas que foram ao encontro de Brega, quando cheguei a show já estava começando mas havia pouca gente, do lado de fora do parque na Av. Caxangá, já havia show, carros com sons nas alturas, tocando os sucessos do momento, gente dançando nas calçadas, e uma unanimidade: cerveja e espetinho. A fumaça com seu cheiro característico incensava a passagem.

A exposição começaria no domingo, e o parque estava aberto a visitação pública, o ingresso do show R$ 10,00. As pessoas chegavam timidamente, pois como não havia tanta gente na bilheteria, imaginava-se que lá dentro devia estar vazio. Havia muito cambista vendendo ingressos lá fora, e já se havia vendido com antecipação em outros lugares. Uma curiosidade, busquei notícias do show em sites na internet e nem sombra. Ninguém noticiou, jc online, Pernambuco.com, pe360, nem uma única linha, nem agenda, NADA! Fui para sites das rádios... Igualmente, NADA! Fiquei surpresa, porque até bem pouco tempo atrás os meios usaram e abusaram do Brega para manter bons níveis de audiência, e agora, de um hora para outra, os abandonaram, foram excluídos... Isso dá um boa discussão. O que aconteceu??? Em breve descobrirei... Aguardem no local!

A chegada na pessoas não foi fácil pois como já havia começado o show muitos tinham pressa de entrar, outros estavam muito desconfiados. “_ Vai sair onde essa pesquisa???”. Haviam muitas famílias completas, pais, filhas(os), namorados(as), as mulheres, como sempre, mais accessíveis, mais falantes, os homens mais desconfiados, mais calados, tímidos.

Pela primeira vez ficou evidente uma impressão que eu tinha, mas como não havia comprovado não podia relatar, o território livre das amantes os homens com suas amantes, falantes, bonitas, e muitas vezes desmentindo suas respostas durante a entrevista. “_Como você tem 3 filhos ??? Não era só um?”. “_ Mentira! Quando ele estava comigo dizia que ganhava menos”. “Eu sou casado mas vim trazer a outra, a amiga”. “Ela não vai responder porque é casada e se o marido dela sabe que ela tá aqui...pronto!”. Não se sabe até que ponto é verdade, mas sabe-se que brincando dizemos grandes verdades.

Outro fato interessante é o medo de admitir que usam produtos piratas, quanto maior o nível de escolaridade, mas se tem receio de admitir, é como se pesa-se algo sobre eles. Eu sempre justifico: Um piratinha em casa todo mundo tem... é só quando perdem o medo de assumir.

O público do Cordeiro foi o de menor renda, o que menos usa computador, o que menos tem computador em casa, o de mais baixa escolaridade e disparado o que mais consome o Brega no dia a dia, não em idas a show, mas consome em casa: CDs piratas, rádio, etc.

Minha cobertura por regiões acabou, já cobri o centro, zonas norte, sul e oeste, como o leste é o mar, me economizou um tempo. Vou fazer meu balanço, estudar os resultados, escrever um artigo e logo posto algo mais relevante e científico por aqui...

A gente se vê Por Aí...

sábado, 7 de novembro de 2009

O inacreditável fenômeno das marcas






Mais uma noite de pesquisa, desta vez em Barra de Jangada, ritmo de festa, a avenida tomada de gente, carros e ônibus se espremem para passar entre a multidão.

Noite de pagode e brega, fenômeno novo: Muitos jovens, o público predominante, rapazes jovens. Na verdade tinha gente de tudo que é idade, cor, credo, classe, mas me chamou atenção o fato de ter tantos adolescentes, muitos deles não entraram na festa, ficam o lado de fora tomando cerveja, talvez porque lá dentro seja proibido vender bebida a menores.

Entre eles muitas coisas em comum, a faixa etária, o gel no cabelo, o boné na cabeça, e as roupas de surf “de Marca”, não dá pra saber ao certo se é original ou pirata, muito embora nas pesquisas que tenho feito 98% dos entrevistados admitam usar produtos piratas, CDs DVDs , roupas e acessórios, jogos e softwares, eles desfilam e ostentam o fato de vestir “Quicksilver”, “Ciclone”, também tem as marcas “B” e “C”, como Rota do Mar e República do Surf. Outra semelhança é o fato de muitos deles ostentarem capacetes estrategicamente pendurado no braço, as garotas levam sempre um capacete rosa, é como se fosse um grande sinal de status estar de moto, mesmo que seja na garupa.

As mulheres não tem tanto assim um padrão de vestir, a não ser a roupa justa, e o vestidinho com brilho, lantejoula, paetê, sei lá! Mas tem roupa para todos os gostos, curtas, longas, largas, justas, não dá para perceber a questão da “marca” que é tão visível nos homens, mas percebe-se o cuidado que tiveram ao arrumar-se para ir ao brega, unhas feitas, cabelo na chapinha, roupas na organização, “pra ficar bonita pros gatinhos”.

Achei a festa melhor do lado de fora que de lado de dentro, mas isso é opinião minha, não vale! Dentro rolava um pagode e as pessoas desciam até o chão, grupos de homens, grupos de mulheres, grupos mistos, grupos gays, havia de tudo... estava lotado. A essa altura, meia noite, já havia muitos bêbados, apesar de ainda ter muita gente do lado de fora para entrar, uns chagando enquanto outros já estavam pra lá de Bagdá.

Eu ia esperar as bandas de brega chegar para entrevistá-los, mas estava muito cansada, e o barulho me incomodava, fora que eles iam chagar em cima da hora de se apresentar, ia ser uma correria danada e possivelmente não conseguisse falar com eles optei por não fazer, deixei para uma próxima com mais calma.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Morro da Conceição, 01/11/09






Pela primeira vez tomei coragem e encarei a subida do morro pra ver um bregão, é incrível que em pleno domingo as pessoas se aglomerem e fiquem até as cinco da manhã, tudo bem que n outro dia seria feriado, mas isso acontece todos os domingos.

Já na chegada, nos pés do morro, ainda na Av. Norte uma confusão, um corre-corre, alguém tinha acabado de assaltar uma senhora, e todos correram, uns atrás do bandido, outro pra socorrer a senhora, já fiquei torando o aço... comecei bem!

A festa começa as onze da noite, achei supertarde, mas cheguei cedo, encontrei uma ex-aluna que me ajudou na tarefa de chegar no local, eu para trabalhar ela pra se divertir, é freqüentadora assídua e foi minha primeira entrevistada da noite. Quando cheguei não tinha ninguém, mas assim que acabei minha primeira entrevista, começou a chegar gente, alguns casais, alguns grupos de amigos, mas as coisas começam a esquentar depois das onze da noite.

As pessoas são de classe baixa, ganham pouco, entre um e três salários mínimos, muitos casados, com família, outros em busca de companhia, parecem extremamente felizes, todos tem problemas financeiros, dívidas, alguns tem nome sujo no SPC, mas “_ Não vão ficar em casa chorando as pitangas” por que isso não resolve seus problemas, ele vão dançar, encontrar os amigos, tomar sua cerveja e com sorte encontrar um companheiro(a). Vão dispostos a gastar o que tiver no bolso: “ _ Se tem R$ 5, gasto cinco, se tiver R$ 100, gasto cem, e se não tiver nada, arrego dos amigos”. “ _ As vezes bebo mais quando venho liso”

As bandas chegam aos bandos em vans e microônibus, os artistas em nada se diferenciam do seu público, ainda estão à paisana, não chegam montados de maneira que é até difícil conseguir identificá-los. Chegam carregando suas sacolinhas com figurinos e muito tranqüilos entram no clube, passam desapercebido pela multidão. Não há algazarras nem gritarias, que muitas vezes acontecem com artistas pop.

Fico em dúvida se vou entrar ou não, mas decido por entrar, incentivada pelo meu marido, querido companheiro nesses meus momentos pesquisadora social, participa, incentiva e ajuda muito. Entramos.

O local é escuro ainda está vazio, as bandas não começaram a tocar, tem um DJ e as pessoas começam a chegar já com sua birita na mão, formam algumas linhas, homens e mulheres se balançam no ritmo da música ainda um pouco tímidos, mas quando o salão vai enchendo, vai ficando mais apertado eles vão se chegando e começam a dançar. A dança é extremamente ousada e sem pudor, eles se amassam literalmente, é um festival de esfregaço, enquanto elas sobem e descem nas pernas deles, com movimentos pélvicos de fazer inveja a Elvis, o tempo vai passando, o salão enchendo e os casais se formando, vemos claramente que não existe nenhuma preferência pelo “belo”, e nenhum problema com as formas corporais, é um espaço totalmente democrático onde todos tem uma chance de conseguir um parceiro. Seus rostos e corpos exalam prazer nos movimentos sexuais, praticamente transam, só que com roupa, e não pensem que é exibicionismo, eles não estão nem aí para os outros, a performance é para o parceiro.

Devo confessar que não tive paciência para me dedicar muito tempo à observação, fiquei um pouco mais de 1h30, o barulho é intenso, o calor é grande, até tentei arriscar dançar, mas me deu vergonha, não me senti a vontade, ali definitivamente não é o meu lugar, talvez com o tempo eu consiga, mas o ambiente não me é familiar, com esse estranhamento é melhor não insistir.

Na saída a rua estava tomada, uma grande multidão querendo entrar no local que já estava cheio, na rua muitos carros e motos, foi difícil manobrar e sair, os motoqueiros faziam arruaça, mas como temos amor a vida ficamos esperando o melhor momento de conseguir passar pelo tumulto e ir pra casa. Que aventura!

Sai de lá com a sensação de dever cumprido, foi muito proveitoso, com certeza precisarei voltar, dessa vez com permissão para gravar. Não sei se vai ser possível mas de qualquer forma, vou arriscar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Encontrando Kelvis Duran






Outra vez me desloco de Piedade para TV Nova em Olinda, desta vez por uma ótima causa, preciso entrevistar Kelvis Duran “ O Príncipe do Calypso”, primeiro tratei com D. Graça, empresária, uma senhora supersimpática, foi bem receptiva e ficou muito interessada na pesquisa, o que já me deixou a vontade para tratar sobre o próximo passo, período de observação e entrevista em profundidade, registrado em vídeo para futuro documentário.

Ela topou de cara ele também.

O grupo chegou por volta das 16:15 para se apresentar ao vivo as 17:00, Kelvis, um casal de bailarinos e a vocalista que divide cena com ele, foram se trocar e iniciei a conversa com D. Graça, me pareceu extremamente esclarecida e bem resolvida no seu trabalho, sabe o que quer para seu artista. Crítica e de idéias claras e objetivas, ela resume o porque de o Brega ter perdido espaço na mídia dizendo que as próprias bandas se destroem entre si, que existe um canibalismo, e que ao invés de se juntarem pra fazer o negócio direito muitos brincam de “fazer banda”, incham o mercado, brigando por espaço em casa de shows e cobrando cada vez menos por um show, gerando um mercado de baixo nível, baixa qualidade e causando o fim delas mesmas. São cachês baixíssimos, que não sobra nem para transportar os integrantes da banda, que se deslocam de ônibus, que acabam o show e ficam na rua, sentados nas calçadas, esperando ônibus, ou a sorte de uma carona. Não conseguem produzir um bom figurino, não tem boa qualidade nas gravações, dependem de favores.

Alega que seu diferencial está em não aceitar cachês baixos para não perder a qualidade do seu produto, e como o mercado local está inchado e com cachês insignificantes ela leva a banda dela pra fazer show no interior, e pra eles não falta apresentações, até 3 por semana.

Kelvis é uma pessoa sossegada, não parece afetado pelo “estrelato”, me recebeu bem e me deu algumas informações valiosas, que não posso falar agora para evitar “espionagem intelectual”. Apesar do seu diferencial ele tem as mesmas origens e os mesmos hábitos culturais e de consumo dos outros tantos que entrevistei, aceitou ser um dos meus personagens de observação e reconhece que o mercado da mídia se fechou para o Brega, de alguma forma, depois do episódio do envolvimento daquele apresentador, que não convém mencionar, com prostituição e abuso de menores. O ministério público e seus ajustes de condutas, e a censura interna dos programas de alguma emissoras causaram uma crise de identidade no Brega, alguns foram cantar suas músicas em ritmo de forró, outros vestiram mais roupas e tiraram os conteúdos picantes das letras, outros simplesmente acabaram, e outros voltaram para a periferia, onde podem cantar o que querem, vestir o que querem, dançar com querem e sempre vão ter seu público, como sempre o tiveram mesmo antes de invadir os meios.

Entrevistei os componentes da banda, também estão na média da estatística, seus hábitos culturais e de consumo não fogem à regra.

A apresentação no programa é curiosa pois o figurino a la Michael Jackson e os movimentos a la Rick Martin nos deixa claro suas influencias, imaginem juntos a roupa do Pop com o rebolado do ex-Menudo e as letras do príncipe do calypso? FENOMENAL é muita hibridização, é muito ressignificação.

O certo é que estou tentando me adaptar ao meu objeto, é um processo rico e de construção paulatina do conhecimento sobre ele, é quase impossível não vir com conceitos preconcebido, mas tenho muito o que aprender e que limpar todas as obviedade que achei que encontraria e reconstruir meus conceitos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Terceiro contato, consumidores 100% Brasil






Noite de quinta-feira, 18:30, hora do rush na Conde da Boa Vista, um pastor prega com mega fone na esquina, paradas de ônibus lotada de gente estressada querendo voltar para casa, rua 7 de setembro movimentada, pessoas largam do trabalho e voltam para casa.

Vendedores de DVDs piratas fazem promoções, 3 por R$10, shows, filmes e séries... carros de espetinho, pastéis, coxinha, milho cozido e amendoim, tem de tudo no “vuco-vuco’ do comercio informal.

Anoitece a casa abre: 100% Brasil show das bandas spartilho, 100%, e PP e Ourisamba, me apresento, peço para olhar o espaço,_ Sem Fotos! está vazio, garçons sentados, banda passando som, nenhum cliente entrou ainda, fico ali na frente esperando os primeiros freqüentadores. Pensei comigo: _ Não vai ser fácil, só devem vir homens casados, para pegar mulher solteiras. Ou me enganei ou as pessoas mentem bem, apesar de achar que estavam sendo sinceros, até pela idade dos freqüentadores, me pareciam dizer a verdade. E eu mais uma vez usei de preconceito e quebrei a cara.

Muitos homens, jovens, solteiros, recemsaídos do trabalho, buscando diversão, tomar algo, e se estiver muito fácil sair de lá acompanhados. As mulheres que entrevistei estavam acompanhadas, mas também haviam grupos de mulheres solteiras e sós. Os perfis são muitos parecidos com o anterior, no Clube Português cinco dias atrás.

São consumidores fiéis que gastam sempre mais de R$20,00 em cada saída “pro Brega”. O Brega deixou de ser adjetivo, virou substantivo. Brega não é só a roupa que se usa, nem a música que se ouve, nem uma maneira de se portar, Brega é o ambiente, é o local, as pessoas saem de suas casas, de seus trabalhos, de suas escolas para ir ao Brega.

Mais uma vez subestimei a quantidade de gente, achei que seria pouca gente e que não iam querer responder os questionários, mas em uma hora tinha entrevistados 10 pessoas, e não tinha mais questionários, ou seja, semana que vem volto lá, desta vez pra ficar mais tempo, entrar no clima e quem sabe arriscar uns passos.

Desta vez fui inclusive convidada a entrar e fazer companhia a um dos entrevistados, mas sabe como é? não se pode misturar a ciência com a diversão, apesar de me parecer impossível pesquisar o Brega e não se envolver intimamente com ele.

O que me deixa bastante surpresa é que as pessoas são receptivas a pesquisa, acham interessante serem pesquisados, é como se nunca tivessem sido questionadas e agora fazem parte de alguma estatística. Como se pela primeira vez o que é dito por eles será levado em conta.

Uma coisa é certa tenho que voltar lá, próxima quinta, com mais tempo pra ficar na observância...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Segundo contato, agora com consumidores...

Segundo contato

Primeiro grande encontro do Brega, um espetáculo grandioso com quinze bandas para se apresentar, ingresso R$10,00 preço superpopular, expectativa de público 5.000 pessoas, e eu estava lá apreciando o movimento e fazendo meus questionários com o público alvo.

Resolvi buscar informações direto da fonte, no foco do consumo por que algumas vezes as pessoas não admitem que consomem Brega e por vezes até demonstram algum tipo de preconceito com o ritmo, e como meu foco são os usuários e não os críticos fui direto ao ponto.

Início da noite cheguei pouco antes das 20:00, no local apenas vendedores ambulantes de cerveja e espetinho achei um tanto vazio, pouco movimento, talvez não lotasse como se esperava, o movimento na bilheteria era raro, pensei comigo: _Hi! não vai dar ninguém, comecei a fazer os questionários, algumas pessoas estavam com pressa por iam encontrar amigos e não quiseram responder, outra ficaram curiosas e até chamaram outras, depois do quinto descobri com meu entrevistado que estava no local errado, estava na porta de fundo do Clube, que a entrada era do outro lado e por isso não havia quase ninguém ali. _ Ufa! Que bom! Achei que não teria gente suficiente...

Ao chegar do outro lado qual não é minha surpresa ao ver a quantidade de gente, a avenida está fechada para carros e o povo toma conta de um lado a outro. Tem gente de todas as cores, classes, e lugares que se possa imaginar, a maioria deles com uma latinha de cerveja na mão, fazendo o “esquenta” com eles dizem. Curioso é também notar a variação de idade, os mais jovens buscando companhia, os mais velhos dançar e se divertir, o gosto pelo ritmo vem de berço, seus pais já ouviam o brega e como é um ritmo dançante no qual se dança aos pares fica mais fácil de se aproximar das pessoas e quem sabe até “dar uns beijinhos”.

Ali, todos juntos e misturados não se sabe muito bem diferenciar quem é pobre, quem é menos pobre, quem tem algum dinheiro, são mais ou menos todos iguais. Usam roupas, sapatos e bonés aparentemente de marcas, mas muitos confessam nos questionários que são produtos piratas. A abordagem não foi tão difícil como eu pensei que seria, as pessoas foram receptivas e curiosas sobre a pesquisa, pena que não houve muito tempo para apreciar o movimento e entrar no clima de festa, estava fazendo os questionários só e tinha que render a noite, afinal pesquisa quantitativa requer produtividade. Mas já decidi, das próximas vezes vou mais devagar para poder apreciar e observar com mais atenção.

Eles são diferentes entre si, de bairros, profissões e nível de escolaridade diferentes, mas tem hábitos iguais, se divertem em bares, praia e bailes, não tem hábito de ler, raramente vão ao cinema, nunca vão ao teatro, assistem muita televisão, alguns ouvem rádio o dia inteiro, outros só algumas horas, mas todos ouvem, ganham entre 1 e 3 salários mínimos, muitos usam computadores/internet em lan-houses para bate-papo e estudo, e a imensa maioria quando vai aos bailes gastam mais de R$ 20 na noite, alguns além de gastarem no baile gastam com a preparação: Uma roupa nova, ir no salão fazer unhas e cabelo etc. outra quase unanimidade é o consumo de produtos piratas, CDs e DVDs são campeões de consumo, mas roupas e acessórios piratas podem ser vistos em muitos dos freqüentadores, muito embora não os tenha entrevistados a todos mas é visível o número de camisas e tênis de origem duvidosa.

O certo é que no início achei que a festa poderia fracassar, ter pouca gente, e ao final pude perceber como o Brega mobiliza as pessoas e como elas se deslocam de seus bairros, não importa a distância, para se divertirem cada um a sua maneira mas todos embalados pelo mesmo ritmo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Primeiro contato

Depois de alguns contatos telefônicos finalmente parto para o primeiro encontro com meu objeto de pesquisa, saio de casa de carro, ar condicionado ligado, ouvindo música no rádio, uma estação eclética, que executa músicas atuais, nacionais e internacionais de qualidade, aí pergunto o que seria música de qualidade? quais são os parâmetros para definir qualidade? A partir de hoje começo meu contato com o Brega meu objeto de investigação para a tese doutoral, mas não costumo ouvir Brega, nem tenho muita intimidade com este tipo de música. Começo aqui um grande desafio de aproximação, me distanciando de todo e qualquer preconceito e julgamento, sem muito juízo de valor.

Chego nas instalações da TV Nova Nordeste, Morro do peludo, Olinda, parece abandonada, nã tem porteiro, ninguém para dar informação, todos entram e saem do local livremente, faço uma ligação, sou recebida por uma ex-aluna que trabalha no local e igualmente sem me identificar entro... Conheço a produtora do Programa Tarde Legal, Dèbora, que em breve pretendo entrevistá-la, o apresentador Marcos Silva e sigo para o estúdio onde vão gravar o programa, um local extremamente pequeno, ali me familiarizo com o espaço e sigo para os camarins onde os "artistas" se organizam para entrar em cena.

São pessoas "normais" com roupas "normais" que chegaram lá de ônibus de linha, carregando suas "roupas de apresentar" em sacolas plásticas de supermercado, são quatro moças e um rapaz com idades entre 15 e 20 anos que fazem parte da banda Sabor do Calypso, baixa escolaridade, poucos sonhos e que cantam brega por que gostam, não dão uma maior relevância ao fato como "tanto faz". Elas ganham em méda 01 salário mínimo, cobram entre R$20 e R$35 por apresentação e gastam tudo com lazer, Alegam não ter havido nenhuma mudança econômica ou melhoria de vida com o Brega, ao mesmo tempo se não fosse o Brega estariam desempregadas e sem renda para o lazer. Não leem, não frequentam cinema nem teatro, se divertem na praia ou feirinhas de bairro, assistem uma média de 8 horas diárias de televisão, uma a duas horas de rádio quando estão fazendo "as coisas".

Não acreditam que Brega é cultura, ao mesmo tempo não sabem dizer o que seria cultura, talvez ler, ir ao cinema e ao teatro, coisas que não costumam fazer... Fazem uso de computadores e internet nas lan-house do bairro ( Águas Compridas) para bate-papo e orkut e costumam consumir produtos piratas como CD, DVD e roupas.

O rapaz tem uma cuida de uma pequena gráfica, cobra entre R$40 e R$60, somando show e gráfica recebe quase 3 salários mínimos, também diz que o dinheiro com o brega, que gasta com roupas e poupa alguma coisa quando sobra, não modificou sua vida nem da família, assiste muita tv, não lê, não vai ao cinema nem ao teatro, se diverte na igreja: é evangélico, usa computador no trabalho e em casa para pesquisas e downloads.

Entrevistei ainda a vocalista da Carta de Baralho, que diz não ser Brega, "_Fazemos forró!" mas tem a mesma temática do Brega... Solange se veste de cowgirl e usa um violão cor de rosa, tem 23 anos, casada, com ensino supeior incompleto em Marketing, ganha até 5 salários mínimos, sendo R$ 1000 fixos e R$ 150 por apresentação. Apesar disso dia que a música não mudou sua vida financeira, gasta seu dinheiro em roupas, produtoas de beleza e poupa o que sobra. No tempo livre faz ginástica, pinta e lê romances e livros técnicos de pintura, seu lazer é tv e praia, não vai ao cinema com frequência, vai ao teatro umas 06 vezes ao ano. Usa computador em casa para trabalho, faz uso de aparelhos eletrônicos de última geração e consome cd e dv piratas.

Na banda Kitara identifiquei meu primeiro entrevistado om que realizarei a entrevista em profundidade e a observação, o primeiro personagem do meu documentário. Rodrigo Mel è cantor, produtor e compositor e várias músicas de sucesso nas bandas de Brega e forró, inclusive sucesso nacional com "grandes bandas" do forró estilizado. Aos 31 anos ele é um exemplo de perseverança, há mais de 5 nos vem lutando para fazer sucesso com sua banda, e finalmente chegou seu momento. A banda faz em média 5 shows por semana, ele ganha mais de 5 salários mínimos entre apresentações e direitos autorais de suas composições. Deve ao Brega bos parte de suas conquistas em termos financeiros, tem apenas o segundo grau e investe o que ganha em roupas saúde, família, lazer, poupança, além de reinvestir parte na atualização da banda, figurino, instrumentos e novas tecnologias. Para se divertir assite filme e vai a praia. Assiste TV, lê pouco, ouve muita música de todos os gêneros, e não costuma frequentar cinema e teatro. Acredita no Brega como cultura por retratar musicalmente o comportamento da sociedade em que vivemos. Usa computador para pesquisa, downloads e negócios. Faz uso de novas tecnologias e também usa produtos piratas. Ele namora a vocalista da banda Carla Alves, 19, que ganha 2 salários cobra R$100 por apresentação, e sua vida melhorou muito quando entrou para a banda, acabou de contruir a casa onde vive com a família e melhorou sua alimentação além de fazer um plano de saúde privado. Tem mais ou menos os mesmos hábitos de seu nomorado, não vai mais ao cinema e ao teatro poruqe ele não acompanha. atualiza seu blog e faz pesquisa em lan-houses perto de sua casa, também faz uso de produtos piratas, cd e dvd.

Aqui descobri por onde darei meus próximos passos, onde vou perseguir o Brega.
E um vasto e rico campo de atuação, sábado estarei no 1º grande encontro de Brega no Clube Português para entrevistar consumidores e fotografar o ambiente.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Quando as coisas demoram a acontecer...

Ixe que tô nos nervos... Louca pra voltar a trabalhar... Cansada de ficar em casa...
Preciso ordenar muitas coisas na minha vida ainda, mas não sei esperar... preciso sentir que estão em andamento, preciso me meter e fazer com que aconteça logo, mas tá difícil... tudo numa velocidade de uma tartaruga prenhe...
Férias... nada acontece... e eu odeio ficar esperando o tempo passar... Sabe do que mais, vou viajar! Vou-me embora pra Garanhuns, curtir o friozinho da serra... aliviar a tensão e aproveitar o festival de inverno... Quer saber? Vou relaxar... Nem sempre as coisas saem como planejadas, vou pegar a estrada e bater perna.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dando um tempo

Tenho andado mutio ocupada depois da minha volta, as coisas estão acontecendo muito rápido, tenho milhões de coisas pra fazer, decisões e bancas para preparar, neste momento não terei muito tempo pra atualizar noticias, mas assim que as coisas tomarem um rumo, volto a escrever minha saga em busca do doc.

domingo, 7 de junho de 2009

Vai devagar Conceição


Antes de vir deixei uma ordem expressa a todos de minha família: Ninguém pode morrer!!! Mas como algumas pessoas não obedecem ordem, ela teimou em nos deixar, faltava pouco.
É com uma grande dor mas com um gende amor no coração que deixo essa homenagem a quem um dia foi, tia, amiga, companheira de gargalhadas, me acolheu, me deu colo, acolheu meu filho, marido, amou a todos sem limites e acima de tudo amou a vida. TIA NON.


Vai devagar Conceição...
Conceição tinha pressa, tinha urgência de viver, tinha um amor incondicional pela vida e pelas pessoas... Tinha tanta pressa que abreviou seu nome, era NON pra encurtar...
Vai devagar Conceição...
Que a vida é longa pra ser vivida pouco a pouco, e pouco a pouco ela viveu, deixando entre nós um rastro de amor, de felicidade, uma gargalhada gostosa que nos contagiava a todos.
Vai devagar Conceição...
Que seus filhos, netos, marido, irmãos, sobrinhos e amigos seguirão te amando, e viverão sem ti momentos onde sempre terás espaço para ser lembrada, não com tristeza e dor, mas com toda a felicidade com a qual você atravessou a vida.
Vai devagar Conceição...
Que você nos ensinou a ter, e a não ter, mas passe o que passe, temos que acreditar e ter fé que um dia as coisas mudam.
Vai devagar Conceição...
Que os que te conhecem não sairão ilesos a essa dor de ter que vive sem ti, mas seguirão sabendo que o que mais amavas na vida era o fato de estar viva e conosco. E não ao poder oferecer nada, oferecias, um bom dia, um sorriso, um colo, uma oração...
Vai devagar Conceição...
Vais deixando em nosso peito a saudade, a vontade de viver, vais deixando de herança a esperança de que pode ser melhor e será! Vais deixando a certeza de que a vida é bonita, é bonita e é bonita, e você sabia disso.
Vai devagar Conceição...
E leva com você todo nosso amor e a certeza de que já não haverá uma festa em nossa família onde não estejas tu, na qual sejas lembrada com amor e com felicidade, porque a dor dói mas passa, e o amor perdura pela eternidade.
Vai devagar...
Diminui teu ritmo e descansa em paz
Conceição.


sábado, 30 de maio de 2009

Manifesto pro Topless. Abaixo o sutiã!!!


É incrível, nós temos muitas diferenças culturais, sociais e sobretudo econômico-financeiras, mas uma coisa que eu não consigo entender é como somos tão provincianos e preconceituosos em relação aos nossos corpos.

Temos uma infinidade de revistas de homens e mulheres nuas, mas é pra ver escondido, porque nosso moralismo barato não nos permite admitir que vemos esse tipo de publicação. Somos todos santos, ninguém nunca entra na internet para ver pornografia, apenas pesquisa para faculdade, baixar documentários cabeças e filmes de arte... Sim, sei...

Tenho que dar um voto de louvor às mulheres da Espanha que há 40 anos começaram o movimento do "destape", e que hoje, não tem mulher bonita, feia, magra, gorda, velha, jovem... até as meninas, desde bebês elas não usam a parte de cima do biquini. Outra ignorância nossa é a tendência de achar que só devia fazer topless mulher gostosa. O direito é de todas, vamos nos destapar!

Por que somos obrigadas a ver um festival de homens gordos, buchudos, com os peitos algumas vezes maiores que os nossos e achar normal e nem ligar? Já se uma mulher não está com tudo em cima não queremos vê-la nem de maiô, que dirá biquini, e menos ainda topless. Isso é machismo barato, ignorância e falta de respeito ao corpo feminino. Não sei o que tem de tão anormal.

Sei que é cultural, mas está pra lá de ultrapassado, Quem nunca viu um peito? todos vimos não só vimos como disfrutamos dele desde do nosso primeiro momento. O peito é nossa fonte de vida, vamos respeitá-lo independente de sua forma.

Ainda temos muitos pudores e complexos em relação aos nossos corpos, temos um esteriótipo no exterior de que todo brasileiro é liberado, que no Brasil tudo é prazer, carnaval, samba e futebol, uma grande orgía, mas longe disso, e também longe, mas muito longe mesmo de querer assumir esse esteriótipo, só defendo o direito ao peito livre... Abaixo o sutiã!!!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Copa, Liga y Champions... Vizca Barça!

Incrível, em duas semanas 3 títulos, o Barça é imbatível, que jogo! que partida! que vitória fenomenal... Não dá pra traduzir o que se passa aqui. Estou emocionada, fiquei arrepiada, e olha que eu tava tendendo pro Manchester até o primeiro gol do Barça, quando o time resolveu entrar em campo e jogar muuuuiiiiiiitooooo! O povo tá louco! é como ter ganho a copa do mundo, só que com um time. Acho que a Espanha se apróxima de realmente ganhar uma copa, é um estilo de futebol muito bom, muito competitivo, tático, incrivelmente belo, jovem e guerreiro.

Infelizmente estou sem câmera não posso mostrar o que é a festa dos vizinhos, terei que guardá-lo na memória: _ Que fuerte tío!

Estão todos nas varandas, nas calçadas, bandeiras buzinas, apitos. Barcelona está em festa os fogos explodem, as pessoas finalmente poem as caras nas varandas e dão sinal de humanidade e de paixão. Finalmente descobri o que os apaixona: FUTEBOL!

Vizca Barça, Vaya partidazo!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Me dá um Rivotril... AAAAIIIII MEU DEEEEEEUUUUUS!!!

Pronto, agora fudeu foi tudo!!! Crises de ansiedade, tô ficando doida, na reta final, com um pé aqui outro aí, meu organismo resolveu enlouquecer... Sobe pressão...baixa pressão... sobe glicose... baixa glicose... de hiper a hipo em questão de minutos, os pobres médicos não sabem o que fazer... nem eu!

Sei que é normal e que faz parte do estresse que estou submetida, metida, e remetida... se levar ao pé da letra estaria adorando ser metida, remetida e submetida, tá vendo começou a tremedeira... 36 de hipo, vou ali comer açúcar... uma hora atrás tava 300, pa se fudê... pera" eu volto! Sorvete de limão...

Pior de tudo é que não consigo escrever e tenho que acabar, na verdade começar um trabalho e acabá-lo claro. Mas hj definitivamente não dá! è muita pressão...

Só penso em ir embora, minhas malas já estão prontas deixei fora só remédios, alguma roupa e sapatos que devo precisar nestas próximas semanas. Sei que o problema é ansiedade, sei também que sou incapaz de controlá-la, principalmente sob estas circunstâncias, Não sei relaxar e deixar que as coisas aconteçam, já estou procurando trabalho pra quando voltar, já quero contactar as pessoas que possivelmente vão dar uma mãozinha na tarefa de achar trampo.

Me adianto aos acontecimentos e fico mais apreensiva, querendo prever o que vai ser de mim daqui a um mês, e olha que eu queria fe´rias, acho que não vai rolar!

Tenho que centrar meu juízo...mas cadê ele? tenho que concluir meu trabalho aqui pra poder pensar no que vou fazer no Brasil. Falta muito pouco, devia estar aproveitando o restinho, mas não tem jeito. Estressei!!!

Eu queria um Rivotril, mas não me deram porque tenho dormido normal de 7 a 8 horas por dia, a merda é que só durmo depois das 3:00h da manhã e acordo depois das 11:00h, ou seja se tormar rivotril não acordo nunca mais.

Tô escrevendo aqui pra ver se desafogo, porque tá foda! das duas uma: ou eu aprendo a me controlar, ou vou viver bêbada pra poder relaxar. Na volta tenho que fazer um desintoxicação.

Vou nessa, fazer sei lá o que porque escrever que é bom necas... mas tenha fé que passa, apelo pra fé alheia, pq a minha, evaporou! Beijos. Nos vemos Por aí.

sábado, 16 de maio de 2009

Em contagem regressiva... Vou voltar!

Estou quase quase, tão tão...que nem nem...
Passou rápido, venci a primeira etapa, mas a luta continua companheiros! tenho mais 3 anos pela frente, tô voltando mas preciso realizar minha investigação, conseguir fazer um trabalho duro e árduo de seleção dos meus personagens, observação e com sorte conseguir gravar todos os passos, que é um dos objetivos da minha investigação. Sei que não vai ser fácil, mas também não é impossível... e estou aqui pra vencer mais essa, e vencerei!

Estou louca pra chegar em casa e reencontrar meu povo... meu marido, meu filho, pais, irmãos, minha princesa Mari, todos... todos... todos...

Desta vez vou sentir falta de Barcelona, meus passeios, a cidade que respira cultura, segurança e saúde que funcionam, se pode sair a noite e voltar a pé altas horas sem medo, os remédios bem baratos, o respeito pelo saúde, tudo funciona, outro dia tinha um exame marcado para as 9:00 da manhã me ligaram para perguntar se podia ser as 11:00, como assim, ligam pra avisar que vai atrasar dois dias antes??? Isso é que é eficiência.

Estou quase pronta, uma das malas já está fechada, entreguei dois trabalhos essa semana, mas ainda falta um completo, nem comecei, e traduzir parte de outro, fazer um resumo, pq está em português.

O resto é meter tudo na mala e partir. Saudades!

Então já sabem, estou voltando, mas enquanto não chego, estarei por ai...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sem palavras...

Treino livre da tarce de sexta: é tudo tão rápido que não dá pra reconhecer, mas uma das sombras brancas é Rubinho

Esse post vai dedicado aos meus irmãos... pá se fudê mô véi! é de arrepiar o pregueado. Bjs! video video

terça-feira, 5 de maio de 2009

Esperando o GP de F1 de Barcelona... Eu vou!!!

Esta semana estou correndo contra o tempo, tenho um artigo pra acabar, uma apresentação pra amanhã(06/05) e planejar dois outros, mas esses dois ficam pra semana que vem, porque esta semana tem GP de fórmula um e claro que eu vou...

Vou realizar um sonho de criança, e certamente não é um sonho só meu, estou realizando o sonho do meu pai, meus irmaõs, meu marido, meu filho... Estou realizando a ilusão de toda minha família, somos todos loucos por corridas, e fiz questão de aproveitar essa oportunidade única de ir a um circuito.

Estou correndo com meus trabalhos quero acabar o antes possível, já tenho uma mala pronta, minhas roupas de frio já estão guardadas... Parece que quanto mais perto fica, mais você quer que acabe. Quero irme de uma vez, já estou cansada de ter que inventar o que fazer quando a cabeça tá cheia. Esperar que alguém entre na net, pra falar alguns instantes... Estou me sentindo só, e de saco cheio...

Beleza, já está chegando minha hora daqui pro fim vai ser superrápido, o tempo já melhorou, mas não estou em casa... quero de uma vez voltar pra minha casa... a coisa que mais parece com minha casa é meu notebook conectado a cada hora que estou desperta, assistindo TV Globo, isso se transformou na minha principal companhia, mesmo quando não estou vendo, tem alguém falando minha língua.

Não posso antecipar minha volta, por que tenho compromissos acadêmicos até dia 11/06, embarco no outro dia.

Quero comer doces, chocolates, tudo que não posso pra ver se alivia a ansiedade, quero adiantar os relógios pra ver se o tempo passa, quero entrar no skype e ver meu marido e meu filho ali, quero fechar minhas malas e partir.

Barcelona desta vez não foi tão cruel quanto da outra, mas minha saudade é maior que qualquer coisa que este lugar possa me oferecer.

Assim os deixo, e deixo de lamentar o que não tem jeito... agora é contar meus dias, horas... minutos... Faltam 37 dias...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Salamanca, Congresso e Farras

Tive a melhor semana de toda minha estada na Espanha, foi quase como estar de férias, apesar de estar na expectativa da ponência no congresso, de sair tudo certo, do retorno do meu trabalho de investigação, dos meus estudos e tal, deu para curtir a cidade fazer novos amigos, conhecer gente do bem, a abrir novas possibilidades em relação à vida acadêmica e colaborações à minha Finvestigação. Resumo da òpera: SUCESSO!!!
Fui muito bem recebida na casa de Regina, ela é uma fofa, um doce de pessoa, estive super a gosto na sua casa, nos divertimos muito, demos muitas risadas, conheci Edurne, uma espanhola quase brasileira, fala portugues e vive com um brasileiro em Portugal. Conheci Zezito, Caboverdeano, doutorando em antropologia que me deu inúmeras dicas de bibliografias. Leo e Leti que iniciaram
seu romence e agora vão viver juntos em Lisboa.

Salamanca é um ovo, pequena, que no primeiro dia dei duas voltas a pé na cidade inteira.

Mas é muito linda, principalmente a noite quando os monumentos estão acesos.

O Congresso foi muito bom, apesar de um pouco desorganizado, mas meus resultados principalmente, me deixou supersatisfeita, meu trabalho foi bem recebido, e tenho a possibilidade de ir expor em outro congresso em Lisboa.

Salamanca não tem muito o que fazer, é muita farra e pouco sono.
cheguei no sábado duas da tarde, no primeiro dia
bebemos até as 3:30 da madruga, e como tenho problemas para dormir, acostumar com cama, quarto, ronco, todas essas frescuras, não preguei olho. No domingo estava morta de cansada, mas fiquei ajudando Regina que ia espor na primeira mesa do congresso, ficamos até as 4:00 trabalhando, mas já consegui dormir até as 7:30.

primeira noite do congresso tomamos algo na rua e fomos tomar vinho em casa, eu ia expor na terça, ainda fiquei trabalhando e ouvindo meu breguinha até as 3:30, foi o dia que mais dormi, até as 9:30

Na quarta feira foi o último dia de congresso e tinhamos uma confraternização numa bodega em Zamora, tomamos vinhi comemos comidas típicas e doces de freiras, tudo um delícia, tinha vôo as 7:00 e tinha que ir pro aeroporto as 5:30, rsultado, virada de noite total. Cheguei morta de cansada, mas super satisfeita com os resultados colhidos nesta viagem.

Deixa eu agradecer mais uma vez a Regina, essa criatura divina que merece que Deus ilumine todos os seus passos, e que seja realmente feliz.
Vou ficando por aqui, e a gente se vê por aí!!!

domingo, 26 de abril de 2009

Em Salamanca

EStou em SAlamanca para expor trabalho no XV congresso internacional de antropologia iberoamericana, e volto logo, estou sem internet, mas assim que puder posto novidades.
Bjs.

domingo, 19 de abril de 2009

Dias difíceis...

Tenho tido dias difíceis, de muito trabalho, muito esforço, dedicação e muitas...muitas saudades... Tive um problema com uma professora, que desde sua primeira aula deixou claro que não foi com a minha cara, não entendi o porque, mas também não tenho por que gostar dela, vinha sempre me tratando mal na frente de todos, resumindo me pegou pra Cristo... Para mim um caso típico e incontestável de assédio moral, mas eu segurei até onde pude, com classe... sexta-feira passada essa senhora se aborreceu porque fiz e entreguei o trabalho antes do prazo, trabalhei quatro semanas duramente para poder me livrar da bruxa, e não tive tempo de preparar um powerpoint que ela queria, mas poderia apresentar o trabalho da mesmo forma sem ppt até por que era análise de uma série, ou seja eu tinha o vídeos e todo o resto seria falar sobre, mas como ela fez tanta questão do ppt, eu resolvi fazer na hora, e fiz, mas a louca resolveu que depois de tudo que eu tinha feito, ela ia cagar na minha cabeça e me impediu de apresentar, no que eu resolvi dizer que era injusto, e que estavamos em uma democracia, e que ela não podia simplesmente me proibir de fazer a apresentação, resolveu surtar, e dizer que ali quem mandava era ela, e que se eu insistisse não corrigiria meu trabalho... bla bla bla... Me emputeci, sai da sala e deixei ela falando sozinha, porque quem não iria mais apresentar nada era eu.
Sabia desde o início que sua atitude comigo podia levar a este final, mas não posso admitir que em uma turma de doutorado este tipo de assédio exista, nem em doutorado nem em nenhuma outra. Não é justo! Resolvi denunciar o assédio enviei e-mail para todos os professores, afinal estudo com todos e nunca tive nenhum tipo de problema com ninguém. Alguns já me reponderam sendo solidários à causa, e seguro não terei problemas de nota pois se ela se negar a corrigir meu trabalho ou mesmo me reprovar posso recorrer a revisão de exame, onde 3 outros professores corrigen e dão conceito ao trabalho e ainda vou denunciá-la no serviço de atenção ao estudante, para que isso nunca mais se repita, nem comigo nem com ninguém.
Fiquei muito triste, desesperada mesmo, porque tenho me esforçado muito por estar aqui, tenho feito das tripas coração, por que já estou com o coração em frangalhos, achei que ia infartar... não dormi, me deu uma diarréia daquelas, até que me disseram que havia maneira de resolver a questão, e mesmo que ela decida me foder, tenho possibilidade de ter meu trabalho avaliado com imparciadade.
Estou cansada, e ainda me faltam outros 3 trabalhos, isso me desatibilizou e tenho que além de tudo lutar pra não deixar que isso afete meus próximos resultados. Difícil!!!
Mas ninguém disse que seria fácil...
Quero muito chegar em casa, sinto muita falta de todos... Vou tentar me recuperar do impacto e trabalhar...

terça-feira, 14 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre minhas imagens...

Recebi um comentário em uma das postagem de uma pessoa que não conheço mas que me fez pensar... Me dizia que minhas imagens passam a idéia de um vazio, e me perguntou se estou bem?
Paco, nunca pensei que essas imagens refletiam tanto, é difícil responder a sua pergunta porque estou aqui por um objetivo muito claro de realizar o doutorado e não posso me dar o direito de cair, tenho que reagir a toda possibilidade me deprimir, tenho que segurar a vontade de chorar e levar meu objetivo até o fim. Não é fácil mas eu consigo.
Quanto a questão do vazio, está muito óbvia? Acho que sim...
Sinto muita falta de tudo e todos que me rodeiam na "vida real" por que costumo dizer que os períodos que passo em Barcelona fazem parte de um universo paralelo que eu teimo em manter aberto, vivo.
Aqui entro em contato com meus sentimentos mais íntimos, e vejo o quanto minha vida real é generosa comigo, como as pessoas que fazem parte dela são boas e o quanto sinto falta delas. Eu realimento meu amor por eles e sempre volto uma pessoa melhor.
Vou vivendo cada dia, aproveitando da melhor maneira, mas não posso me livrar da sensação de solidão, porque estou só. Mas é por pouco tempo por que me falta pouco para voltar pro meu país, minhas família, minha casa, marido filho... tudo!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Casa nova

É pequeno e colhedor, fácil de limpar num instante tá tudo brilhando.

Comparto com Vivi, mas ela nunca está, digo que estou zelando pela sua casa e seus filhos três passarinhos que sempre que faz sol ponho eles pra fora. Segundo ela virei a Tia Paula.

Aqui é a sala de jantar, que vira varal.





A sala que vira cozinha, dependendo do eixo que você olhar

quarto que vira sala de estudo... tudo depende do ponto de vista...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Saída do pueblo... Chegada a Barcelona

Entrou pela perna do pinto... saiu pela perna do pato... Assim acabou a história do pueblo comunista... Tudo acabou em pizza muita cerveja e champanhe para festejar a nova etapa.


Até Sandy, a cachorra, estava lá pra se despedir de nós.


Foi duro, não como vou conseguir voltar pra casa, minhas malas já não me cabem, de duas viraram quatro, um monte de coisa que não sei o que farei com tudo... Mas isso eu penso na hora de irme de uma vez.



A despedida foi muito boa, celebramos a possibilidade de fazer amigos, por que chega uma época na vida que você acha que todos os amigos que tinha que fazer na vida fez na infância ou adolescência, mas não é bem assim, aqui conseguir viver e compartir experiências com gente do mundo todo, a acredito que tive muita sorte de encontrá-los, pessoas que levarei dentro so meu coração pro resto da vida.


Gustavo, companheiro de longas e filosóficas conversas regadas a cerveja, lastimo muito terem negado o visto pra sua família, ele precisa deles


Tufária, pense numa mulher porreta! ela sempre dá umas voltinhas por aqui... tô ligada que você tá lendo, viu? Adoro! foi buscar seu filhote e deve voltar pra encarar o doutorado, desejo a ela muita sorte e tranquilidade pra atravessar a dureza de estar longe de sua família e amigos, trabalhando, estudando e cuidando do pequeno... tô louca de vontade de beijar suas bochechas neguinho.


Sultan, doçura em pessoa.


E Lisa, esta é doida, vim pro outro lado do mundo encontrar a irmã que não tive... um desastre, não pode passar perto de uma faca que se corta, seus dedos vivem cheios de band-aid, se espetou com agulhas infectadas por virus de porco no lab onde trabalha, já disse: Vai se transformar na pig woman, e isso rende um bom enredo pra um filme... achando pouco tá toda queimada, pq está trabalhando com luzes UV sem proteção.. INTERNA!!! Doidinha.


Estou de casa nova, devo fotos, não tive disposição para fazê-las, moro com Vivi, mas praticamente estou só, ela sai pra trabalhar e quase sempre dorme na casa do namorado.

Estou bem, quando faz um solzinho já sabem corro pra praia, tirar o mofo... Estudando... aproveitando o feriado da semana santa pra adiantar aguns trabalhos, acabei um, e estou no meio do segundo, ainda faltam cinco... pra fazer em 2 meses.UFA! Ah a outra novidade é que comprei minha entrada po GP de fòrmula 1, e vou ver a corrida e os treinos ao vivo no circuito. TÔ PAGANDO!!! Ia esquecendo, parabéns a Pollyanna e Paio pela chegada da nossa linda Marília, que Deus os abençoe.





terça-feira, 31 de março de 2009

Tô precisando voltar a escrever...

Tô devendo notícias, ando afastada por que estou ocupadíssima, estes últimos 15 dias foi um inferno, tive que fazer mudança, fiquei sem internet, um monte de trabalho... Exames médicos (nada grave, rotina de controle da diabetes) tivemos uma festinha de despedida, todos se mudaram e o pueblo fechou. Estou em Barcelona morando com Vivi, devo fotos do novo piso... é tanta coisa que realmente não sei como vou dar conta.
Estou cansada... Comecei a escrever alguns trabalhos, quando enjoo passo pra outro, num total faltam 7 artigos, mas como não sou besta nem nada, acordei com dois profs que as disciplinas meio que se completam que faria m trabalho pros dois, com os dois marcos teórico, para economizar neurônios, outras duas vão ter os trabalho sobre o mesmo objeto, mudando o enfoque das análises, outra vou aproveitar minha ponência do Congresso e vou apresentar o mesmo seminário... parece fácil, mas difícil é sentar a bunda na cadeira se concentrar e escrever... Pa si fudê mô véi...

Cansei, quando tiver mais tempo e disposição meto as fotos da despedida e conto novidades, que tem é muita mas o cansaço não permite elaborar as mensagens.

Bjs, a todos.