quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cordeiro, o paraíso das amantes...

Está um pouco atrasado, por que esta semana está supercorrida, mas tá valendo!

Passei a noite do sábado no parque de exposições do Cordeiro entrevistando as pessoas que foram ao encontro de Brega, quando cheguei a show já estava começando mas havia pouca gente, do lado de fora do parque na Av. Caxangá, já havia show, carros com sons nas alturas, tocando os sucessos do momento, gente dançando nas calçadas, e uma unanimidade: cerveja e espetinho. A fumaça com seu cheiro característico incensava a passagem.

A exposição começaria no domingo, e o parque estava aberto a visitação pública, o ingresso do show R$ 10,00. As pessoas chegavam timidamente, pois como não havia tanta gente na bilheteria, imaginava-se que lá dentro devia estar vazio. Havia muito cambista vendendo ingressos lá fora, e já se havia vendido com antecipação em outros lugares. Uma curiosidade, busquei notícias do show em sites na internet e nem sombra. Ninguém noticiou, jc online, Pernambuco.com, pe360, nem uma única linha, nem agenda, NADA! Fui para sites das rádios... Igualmente, NADA! Fiquei surpresa, porque até bem pouco tempo atrás os meios usaram e abusaram do Brega para manter bons níveis de audiência, e agora, de um hora para outra, os abandonaram, foram excluídos... Isso dá um boa discussão. O que aconteceu??? Em breve descobrirei... Aguardem no local!

A chegada na pessoas não foi fácil pois como já havia começado o show muitos tinham pressa de entrar, outros estavam muito desconfiados. “_ Vai sair onde essa pesquisa???”. Haviam muitas famílias completas, pais, filhas(os), namorados(as), as mulheres, como sempre, mais accessíveis, mais falantes, os homens mais desconfiados, mais calados, tímidos.

Pela primeira vez ficou evidente uma impressão que eu tinha, mas como não havia comprovado não podia relatar, o território livre das amantes os homens com suas amantes, falantes, bonitas, e muitas vezes desmentindo suas respostas durante a entrevista. “_Como você tem 3 filhos ??? Não era só um?”. “_ Mentira! Quando ele estava comigo dizia que ganhava menos”. “Eu sou casado mas vim trazer a outra, a amiga”. “Ela não vai responder porque é casada e se o marido dela sabe que ela tá aqui...pronto!”. Não se sabe até que ponto é verdade, mas sabe-se que brincando dizemos grandes verdades.

Outro fato interessante é o medo de admitir que usam produtos piratas, quanto maior o nível de escolaridade, mas se tem receio de admitir, é como se pesa-se algo sobre eles. Eu sempre justifico: Um piratinha em casa todo mundo tem... é só quando perdem o medo de assumir.

O público do Cordeiro foi o de menor renda, o que menos usa computador, o que menos tem computador em casa, o de mais baixa escolaridade e disparado o que mais consome o Brega no dia a dia, não em idas a show, mas consome em casa: CDs piratas, rádio, etc.

Minha cobertura por regiões acabou, já cobri o centro, zonas norte, sul e oeste, como o leste é o mar, me economizou um tempo. Vou fazer meu balanço, estudar os resultados, escrever um artigo e logo posto algo mais relevante e científico por aqui...

A gente se vê Por Aí...

sábado, 7 de novembro de 2009

O inacreditável fenômeno das marcas






Mais uma noite de pesquisa, desta vez em Barra de Jangada, ritmo de festa, a avenida tomada de gente, carros e ônibus se espremem para passar entre a multidão.

Noite de pagode e brega, fenômeno novo: Muitos jovens, o público predominante, rapazes jovens. Na verdade tinha gente de tudo que é idade, cor, credo, classe, mas me chamou atenção o fato de ter tantos adolescentes, muitos deles não entraram na festa, ficam o lado de fora tomando cerveja, talvez porque lá dentro seja proibido vender bebida a menores.

Entre eles muitas coisas em comum, a faixa etária, o gel no cabelo, o boné na cabeça, e as roupas de surf “de Marca”, não dá pra saber ao certo se é original ou pirata, muito embora nas pesquisas que tenho feito 98% dos entrevistados admitam usar produtos piratas, CDs DVDs , roupas e acessórios, jogos e softwares, eles desfilam e ostentam o fato de vestir “Quicksilver”, “Ciclone”, também tem as marcas “B” e “C”, como Rota do Mar e República do Surf. Outra semelhança é o fato de muitos deles ostentarem capacetes estrategicamente pendurado no braço, as garotas levam sempre um capacete rosa, é como se fosse um grande sinal de status estar de moto, mesmo que seja na garupa.

As mulheres não tem tanto assim um padrão de vestir, a não ser a roupa justa, e o vestidinho com brilho, lantejoula, paetê, sei lá! Mas tem roupa para todos os gostos, curtas, longas, largas, justas, não dá para perceber a questão da “marca” que é tão visível nos homens, mas percebe-se o cuidado que tiveram ao arrumar-se para ir ao brega, unhas feitas, cabelo na chapinha, roupas na organização, “pra ficar bonita pros gatinhos”.

Achei a festa melhor do lado de fora que de lado de dentro, mas isso é opinião minha, não vale! Dentro rolava um pagode e as pessoas desciam até o chão, grupos de homens, grupos de mulheres, grupos mistos, grupos gays, havia de tudo... estava lotado. A essa altura, meia noite, já havia muitos bêbados, apesar de ainda ter muita gente do lado de fora para entrar, uns chagando enquanto outros já estavam pra lá de Bagdá.

Eu ia esperar as bandas de brega chegar para entrevistá-los, mas estava muito cansada, e o barulho me incomodava, fora que eles iam chagar em cima da hora de se apresentar, ia ser uma correria danada e possivelmente não conseguisse falar com eles optei por não fazer, deixei para uma próxima com mais calma.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Morro da Conceição, 01/11/09






Pela primeira vez tomei coragem e encarei a subida do morro pra ver um bregão, é incrível que em pleno domingo as pessoas se aglomerem e fiquem até as cinco da manhã, tudo bem que n outro dia seria feriado, mas isso acontece todos os domingos.

Já na chegada, nos pés do morro, ainda na Av. Norte uma confusão, um corre-corre, alguém tinha acabado de assaltar uma senhora, e todos correram, uns atrás do bandido, outro pra socorrer a senhora, já fiquei torando o aço... comecei bem!

A festa começa as onze da noite, achei supertarde, mas cheguei cedo, encontrei uma ex-aluna que me ajudou na tarefa de chegar no local, eu para trabalhar ela pra se divertir, é freqüentadora assídua e foi minha primeira entrevistada da noite. Quando cheguei não tinha ninguém, mas assim que acabei minha primeira entrevista, começou a chegar gente, alguns casais, alguns grupos de amigos, mas as coisas começam a esquentar depois das onze da noite.

As pessoas são de classe baixa, ganham pouco, entre um e três salários mínimos, muitos casados, com família, outros em busca de companhia, parecem extremamente felizes, todos tem problemas financeiros, dívidas, alguns tem nome sujo no SPC, mas “_ Não vão ficar em casa chorando as pitangas” por que isso não resolve seus problemas, ele vão dançar, encontrar os amigos, tomar sua cerveja e com sorte encontrar um companheiro(a). Vão dispostos a gastar o que tiver no bolso: “ _ Se tem R$ 5, gasto cinco, se tiver R$ 100, gasto cem, e se não tiver nada, arrego dos amigos”. “ _ As vezes bebo mais quando venho liso”

As bandas chegam aos bandos em vans e microônibus, os artistas em nada se diferenciam do seu público, ainda estão à paisana, não chegam montados de maneira que é até difícil conseguir identificá-los. Chegam carregando suas sacolinhas com figurinos e muito tranqüilos entram no clube, passam desapercebido pela multidão. Não há algazarras nem gritarias, que muitas vezes acontecem com artistas pop.

Fico em dúvida se vou entrar ou não, mas decido por entrar, incentivada pelo meu marido, querido companheiro nesses meus momentos pesquisadora social, participa, incentiva e ajuda muito. Entramos.

O local é escuro ainda está vazio, as bandas não começaram a tocar, tem um DJ e as pessoas começam a chegar já com sua birita na mão, formam algumas linhas, homens e mulheres se balançam no ritmo da música ainda um pouco tímidos, mas quando o salão vai enchendo, vai ficando mais apertado eles vão se chegando e começam a dançar. A dança é extremamente ousada e sem pudor, eles se amassam literalmente, é um festival de esfregaço, enquanto elas sobem e descem nas pernas deles, com movimentos pélvicos de fazer inveja a Elvis, o tempo vai passando, o salão enchendo e os casais se formando, vemos claramente que não existe nenhuma preferência pelo “belo”, e nenhum problema com as formas corporais, é um espaço totalmente democrático onde todos tem uma chance de conseguir um parceiro. Seus rostos e corpos exalam prazer nos movimentos sexuais, praticamente transam, só que com roupa, e não pensem que é exibicionismo, eles não estão nem aí para os outros, a performance é para o parceiro.

Devo confessar que não tive paciência para me dedicar muito tempo à observação, fiquei um pouco mais de 1h30, o barulho é intenso, o calor é grande, até tentei arriscar dançar, mas me deu vergonha, não me senti a vontade, ali definitivamente não é o meu lugar, talvez com o tempo eu consiga, mas o ambiente não me é familiar, com esse estranhamento é melhor não insistir.

Na saída a rua estava tomada, uma grande multidão querendo entrar no local que já estava cheio, na rua muitos carros e motos, foi difícil manobrar e sair, os motoqueiros faziam arruaça, mas como temos amor a vida ficamos esperando o melhor momento de conseguir passar pelo tumulto e ir pra casa. Que aventura!

Sai de lá com a sensação de dever cumprido, foi muito proveitoso, com certeza precisarei voltar, dessa vez com permissão para gravar. Não sei se vai ser possível mas de qualquer forma, vou arriscar.