sábado, 9 de janeiro de 2010

Retomando os trabalhos


De volta depois do recesso de fim de ano percebi que em nossas vidas estamos sempre recomeçando... a cada dia, a cada segunda, a cada mês, a cada ano... Periodicamente o calendário nos dá a oportunidade de recomeçar, que bom!

Depois de um balanço no que já havia feito começo agora a fase mais dura do trabalho, a fase de literalmente correr atrás dos BregaStars, serão muitas madrugadas em claro.

O mais difícil ainda é ter que trabalhar praticamente só, contando com o imenso apoio que me tem dado meu maridão (que seria de mim sem ele???) e meu filhote (que com toda boa vontade do mundo está entrando numa realidade que antes abominava), ele tem aprendido muito da vida, do respeito a diversidade, e aberto os olhos para preconceitos velados que muitos de nós temos sobre o que não conhecemos.

Tive um choque quando li nos jornais sobre o incêndio no 100% Brasil, lastimável, ali tive os melhores momentos de minha pesquisa junto aos consumidores do Brega, confio que Carlos e sua sabedoria vai conseguir reerguer a casa e retomar suas atividades ainda melhor do que era.

Dia de Brega Fest no Clube dos Fanfarrões, Barra de Jangada, fui lá aventurar, apesar de estar autorizada a gravar, na hora o show o dono da casa empombou e não nos deixou entrar. “_ Grave seu documentário da porta pra fora, dentro da minha casa não!” Fiquei na peleja. _Peraí vamos conversar, não quero filmar seu público (embora quisesse), quero filmar só a banda e o dono da banda já autorizou...


Meia hora depois, mais tranqüilo ele volta, por que eu não arredei o pé de lá... explico novamente o que preciso gravar, explico que já fiz no 100% que Carlos o proprietário foi muito solícito, gentil e generoso, que gostaria inclusive de gravar uma entrevista com ele num momento mais tranqüilo. Ele suspira e nos permite entrar apenas no camarim... Filmamos as trocas de roupa, maquiagem, preparativos, e ainda assim consegui ir até o palco e gravar três músicas meio que escondido. Coisas de produtora teimosa.

Algum tempo antes, ainda fora do clube, reafirmei o que tenho visto nas minhas andanças pelos bailes. As pessoas, suas maneiras de agir, de vestir, de atuar, seus usos e costumes, elas fazem parte de um coletivo muito característico que é o coletivo dos bregueiros. Quando digo bregueiros, não é de forma pejorativa até por que eles próprios se denominam assim, me refiro justamente à sua se distinção: eles frequentam sempre os mesmos clubes, gostam de brega, pagode e forró elétrico (não raro os shows reúnem uma banda de cada ritmo) as mulheres bem vestidas e penteadas se vestem para seduzir, roupas justas, curtas, com brilho, cabelos na escova, chapinha e balaiagem, quando ameaça chover é aquela correria pra não desmanchar o penteado. Os homens invariavelmente de boné, o boné é um caso interessante, acessório antes usado para proteger-se do sol, hoje ele é, junto com o capacete de motoqueiro, uma unanimidade da cabeça dos homens. Já a roupa faz estilo surfista, de preferência estampando uma marca conhecida, mesmo que seja pirata, não importa. Alguns até confessam que compram roupas piratas para usar no dia a dia, mas para ir às festas tem que ser de marca boa e verdadeira. “_Tem que investir pra ganhar as gatinhas”.

Um fenômeno engraçado, só percebido agora que comecei a filmar, é que algumas pessoas (em geral homens) perguntam onde vai passar, por medo que suas mulheres os vejam. “_Pra não queimar meu filme em casa.” Um dos entrevistados assumiu que deixou a mulher em casa e que se ela soubesse que ele estava ali: “_ Ela tora meu pescoço!” Outros fazem questão de fazer poses a jogar os cabelos para aparecer. Existe um sem número de homens que dizem não gostar de Brega, mas vão por causa dos amigos e por que tem muitas mulheres dando sopa. Todos vão dispostos a gastar o que tiver no bolso, se tem R$10, gasta R$10 se tem R$50, gasta R$50, mas se tivesse mais gastariam muito mais.

O animador da festa, geralmente um DJ é um caso a parte, eles chamam os homens de raparigueiros “_Tem raparigueiro ai????” o que nos leva a concluir que as mulheres são??? Raparigas! Claro! “_Levou gaia? Se mude, não deixe seu carro na mesma garagem.” E ainda apela para as torcidas dos times locais para movimentar a noite enquanto a banda não chega: “_Cadê a torcida do Sport???” Tem ainda as gírias, mulher feia: Caça-rato. Quando você não consegue “pegar” gente nova e sempre tem aquela pessoa que no último caso você se atraca: Lanchinho.

Pois é essa semana vai ser cheia... qualquer novidade estarei postando por aqui.
Feliz ano novo a todos.

Fico devendo imagens, mas ainda não sei reduzir a qualidade da minha super câmera FULL HD, com o qual os arquivos são imensos para postar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Universidade 100% Brasil


Iniciei finalmente as gravações das minhas entrevistas e tive a grata surpresa de conhecer Carlos, empreendedor, comerciante e piloto de rally, dono do 100% Brasil, um dos mais badalados points bregueiros do Recife. Pessoa extremamente simpática e impressionantemente inteligente.

Começamos falando do início da trajetória da casa de show que há 30 anos era um restaurante chinês "China Brasil", com apenas um caixa de som no teto e um ano após ser comprada se transformou no maior reduto da música popular (alguns vão querer me matar, porque Nem Caetano, nem Gil, muito menos Vanessa, Zeca nem Chico César passaram nesse palco)mas voltando ao popular, popular por alcance, popular por origem, popular de fato! Hoje a casa tem 10 toneladas de equipamentos de som, um palco de 50m² disputado a tapa por quem está começando no gênero, mas não é pra qualquer um não, tem que ter um certo nível pra subir no palco do 100% Brasil, em respeito ao público a banda tem que ter qualidade.

Nesses últimos 10 anos se testemunhou o sucesso de mais de mil bandas e o fim de muitas outras, muitas delas surgem e desaparecem antes de completar um ano. "_ Os 15 minutos delas, são realmente 15 minutos! Raramente uma banda dura mais de seis meses." Segundo o próprio Carlos isso se atribui ao tamanho do ego e falta de estrutura para lidar com a "fama repentina", quando uma banda explode nas paradas logo se sente muito importante deixa de atender telefones, aparecem empresários e produtores que se atravessam nas negociações, cobram preços exorbitantes, esquecem que no início quando precisam a gente ajuda, abre a casa, mas logo perdem a humildade e a origem, se negando a ter contato com o público esquecendo que é o público que compra seu disco e paga o ingresso do seu show. Não adianta que hoje você toca pro rico, amanhã o rico troca você por outro e você fatalmente vai ter que voltar a tocar para o público que você esnobou e se negou a dar autógrafos, a fazer fotos...

Hoje na sua casa tem show de Brega todas as quintas, com 04 bandas por noite, média de público varia entre 1000 e 1200 pessoas, mas já chegou a botar 2000, elas pagam R$8,00 de ingresso e consomem percapita R$100,00 em bebida/comida. É o maior vendedor de cerveja Nova Schin no Brasil, seu recorde é de 250 grades de cerveja numa noite. Paga (a vista) em média R$ 1000,00 pelo show, oferecendo todos os recursos de luz, som e publicidade, anuncia semanalmente em rádio, lambe-lambe e carros de som e trio elétrico. Quem nunca ouviu: " É HOJE... NO 100% BRASIL" Gasta mensalmente R$ 12mil em publicidade, hoje gasta muito mais que na época que tinha mídia gratuita na Tv nos extintos programas de Brega.

Acredita que o Brega caiu muito no mercado e nas tvs depois do envolvimento de um apresentador (que por razões jurídicas não comvém dizer seu nome)com abusos sexuais e corrupção de menores. Que para ele era a pessoa que movimentava o mercado com seus shows e caravanas, onde levava as bandas para fazer shows quase grátis, segundo ele "Em troca da galinha" que significa apenas uma ajuda de custo.Com a queda do apresentador caiu junto o Brega, pois era naquele programa e nos outros do mesmo gênero que as pessoas tomavam conhecimento das músicas, das bandas e dos shows. Mesmo assim o Brega ainda é mais importante que o pagode, o forró. Algumas bandas até se acabaram por isso.

Ali trabalham 50 pessoas nos shows das quintas-feira, mas o mercado que movimenta é muito maior pois do lado de fora, na rua, o shopping formado pelos ambulantes gera muitos outros empregos indiretos, talvez não se possa considerar empregos, mas é geração de renda e sustento de muitas famílias.

Para ele o que determina o sucesso e o fracasso de uma banda é a falta de profissionalização, falta de orientação para o mercado, músico já tem fama de irresponsável, "_Mas esse pessoal de banda é muito desorganizado, tem dificuldades financeiras, são muito pobres,mora em morro, tem dificuldades para comer, para se vestir, se vestem mal, poucas bandas tem um "fardamento legal", um gardarroupa legal. Isso dificulta muito a situação das bandas se manterem no topo".

Nas próximas semanas estará promovendo as festas dos melhores do ano, e o natal sem fome, as quais farei a cobertura e os deixarei informados. Quem será o melhor do Brega este ano??? Façam suas apostas...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cordeiro, o paraíso das amantes...

Está um pouco atrasado, por que esta semana está supercorrida, mas tá valendo!

Passei a noite do sábado no parque de exposições do Cordeiro entrevistando as pessoas que foram ao encontro de Brega, quando cheguei a show já estava começando mas havia pouca gente, do lado de fora do parque na Av. Caxangá, já havia show, carros com sons nas alturas, tocando os sucessos do momento, gente dançando nas calçadas, e uma unanimidade: cerveja e espetinho. A fumaça com seu cheiro característico incensava a passagem.

A exposição começaria no domingo, e o parque estava aberto a visitação pública, o ingresso do show R$ 10,00. As pessoas chegavam timidamente, pois como não havia tanta gente na bilheteria, imaginava-se que lá dentro devia estar vazio. Havia muito cambista vendendo ingressos lá fora, e já se havia vendido com antecipação em outros lugares. Uma curiosidade, busquei notícias do show em sites na internet e nem sombra. Ninguém noticiou, jc online, Pernambuco.com, pe360, nem uma única linha, nem agenda, NADA! Fui para sites das rádios... Igualmente, NADA! Fiquei surpresa, porque até bem pouco tempo atrás os meios usaram e abusaram do Brega para manter bons níveis de audiência, e agora, de um hora para outra, os abandonaram, foram excluídos... Isso dá um boa discussão. O que aconteceu??? Em breve descobrirei... Aguardem no local!

A chegada na pessoas não foi fácil pois como já havia começado o show muitos tinham pressa de entrar, outros estavam muito desconfiados. “_ Vai sair onde essa pesquisa???”. Haviam muitas famílias completas, pais, filhas(os), namorados(as), as mulheres, como sempre, mais accessíveis, mais falantes, os homens mais desconfiados, mais calados, tímidos.

Pela primeira vez ficou evidente uma impressão que eu tinha, mas como não havia comprovado não podia relatar, o território livre das amantes os homens com suas amantes, falantes, bonitas, e muitas vezes desmentindo suas respostas durante a entrevista. “_Como você tem 3 filhos ??? Não era só um?”. “_ Mentira! Quando ele estava comigo dizia que ganhava menos”. “Eu sou casado mas vim trazer a outra, a amiga”. “Ela não vai responder porque é casada e se o marido dela sabe que ela tá aqui...pronto!”. Não se sabe até que ponto é verdade, mas sabe-se que brincando dizemos grandes verdades.

Outro fato interessante é o medo de admitir que usam produtos piratas, quanto maior o nível de escolaridade, mas se tem receio de admitir, é como se pesa-se algo sobre eles. Eu sempre justifico: Um piratinha em casa todo mundo tem... é só quando perdem o medo de assumir.

O público do Cordeiro foi o de menor renda, o que menos usa computador, o que menos tem computador em casa, o de mais baixa escolaridade e disparado o que mais consome o Brega no dia a dia, não em idas a show, mas consome em casa: CDs piratas, rádio, etc.

Minha cobertura por regiões acabou, já cobri o centro, zonas norte, sul e oeste, como o leste é o mar, me economizou um tempo. Vou fazer meu balanço, estudar os resultados, escrever um artigo e logo posto algo mais relevante e científico por aqui...

A gente se vê Por Aí...

sábado, 7 de novembro de 2009

O inacreditável fenômeno das marcas






Mais uma noite de pesquisa, desta vez em Barra de Jangada, ritmo de festa, a avenida tomada de gente, carros e ônibus se espremem para passar entre a multidão.

Noite de pagode e brega, fenômeno novo: Muitos jovens, o público predominante, rapazes jovens. Na verdade tinha gente de tudo que é idade, cor, credo, classe, mas me chamou atenção o fato de ter tantos adolescentes, muitos deles não entraram na festa, ficam o lado de fora tomando cerveja, talvez porque lá dentro seja proibido vender bebida a menores.

Entre eles muitas coisas em comum, a faixa etária, o gel no cabelo, o boné na cabeça, e as roupas de surf “de Marca”, não dá pra saber ao certo se é original ou pirata, muito embora nas pesquisas que tenho feito 98% dos entrevistados admitam usar produtos piratas, CDs DVDs , roupas e acessórios, jogos e softwares, eles desfilam e ostentam o fato de vestir “Quicksilver”, “Ciclone”, também tem as marcas “B” e “C”, como Rota do Mar e República do Surf. Outra semelhança é o fato de muitos deles ostentarem capacetes estrategicamente pendurado no braço, as garotas levam sempre um capacete rosa, é como se fosse um grande sinal de status estar de moto, mesmo que seja na garupa.

As mulheres não tem tanto assim um padrão de vestir, a não ser a roupa justa, e o vestidinho com brilho, lantejoula, paetê, sei lá! Mas tem roupa para todos os gostos, curtas, longas, largas, justas, não dá para perceber a questão da “marca” que é tão visível nos homens, mas percebe-se o cuidado que tiveram ao arrumar-se para ir ao brega, unhas feitas, cabelo na chapinha, roupas na organização, “pra ficar bonita pros gatinhos”.

Achei a festa melhor do lado de fora que de lado de dentro, mas isso é opinião minha, não vale! Dentro rolava um pagode e as pessoas desciam até o chão, grupos de homens, grupos de mulheres, grupos mistos, grupos gays, havia de tudo... estava lotado. A essa altura, meia noite, já havia muitos bêbados, apesar de ainda ter muita gente do lado de fora para entrar, uns chagando enquanto outros já estavam pra lá de Bagdá.

Eu ia esperar as bandas de brega chegar para entrevistá-los, mas estava muito cansada, e o barulho me incomodava, fora que eles iam chagar em cima da hora de se apresentar, ia ser uma correria danada e possivelmente não conseguisse falar com eles optei por não fazer, deixei para uma próxima com mais calma.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Morro da Conceição, 01/11/09






Pela primeira vez tomei coragem e encarei a subida do morro pra ver um bregão, é incrível que em pleno domingo as pessoas se aglomerem e fiquem até as cinco da manhã, tudo bem que n outro dia seria feriado, mas isso acontece todos os domingos.

Já na chegada, nos pés do morro, ainda na Av. Norte uma confusão, um corre-corre, alguém tinha acabado de assaltar uma senhora, e todos correram, uns atrás do bandido, outro pra socorrer a senhora, já fiquei torando o aço... comecei bem!

A festa começa as onze da noite, achei supertarde, mas cheguei cedo, encontrei uma ex-aluna que me ajudou na tarefa de chegar no local, eu para trabalhar ela pra se divertir, é freqüentadora assídua e foi minha primeira entrevistada da noite. Quando cheguei não tinha ninguém, mas assim que acabei minha primeira entrevista, começou a chegar gente, alguns casais, alguns grupos de amigos, mas as coisas começam a esquentar depois das onze da noite.

As pessoas são de classe baixa, ganham pouco, entre um e três salários mínimos, muitos casados, com família, outros em busca de companhia, parecem extremamente felizes, todos tem problemas financeiros, dívidas, alguns tem nome sujo no SPC, mas “_ Não vão ficar em casa chorando as pitangas” por que isso não resolve seus problemas, ele vão dançar, encontrar os amigos, tomar sua cerveja e com sorte encontrar um companheiro(a). Vão dispostos a gastar o que tiver no bolso: “ _ Se tem R$ 5, gasto cinco, se tiver R$ 100, gasto cem, e se não tiver nada, arrego dos amigos”. “ _ As vezes bebo mais quando venho liso”

As bandas chegam aos bandos em vans e microônibus, os artistas em nada se diferenciam do seu público, ainda estão à paisana, não chegam montados de maneira que é até difícil conseguir identificá-los. Chegam carregando suas sacolinhas com figurinos e muito tranqüilos entram no clube, passam desapercebido pela multidão. Não há algazarras nem gritarias, que muitas vezes acontecem com artistas pop.

Fico em dúvida se vou entrar ou não, mas decido por entrar, incentivada pelo meu marido, querido companheiro nesses meus momentos pesquisadora social, participa, incentiva e ajuda muito. Entramos.

O local é escuro ainda está vazio, as bandas não começaram a tocar, tem um DJ e as pessoas começam a chegar já com sua birita na mão, formam algumas linhas, homens e mulheres se balançam no ritmo da música ainda um pouco tímidos, mas quando o salão vai enchendo, vai ficando mais apertado eles vão se chegando e começam a dançar. A dança é extremamente ousada e sem pudor, eles se amassam literalmente, é um festival de esfregaço, enquanto elas sobem e descem nas pernas deles, com movimentos pélvicos de fazer inveja a Elvis, o tempo vai passando, o salão enchendo e os casais se formando, vemos claramente que não existe nenhuma preferência pelo “belo”, e nenhum problema com as formas corporais, é um espaço totalmente democrático onde todos tem uma chance de conseguir um parceiro. Seus rostos e corpos exalam prazer nos movimentos sexuais, praticamente transam, só que com roupa, e não pensem que é exibicionismo, eles não estão nem aí para os outros, a performance é para o parceiro.

Devo confessar que não tive paciência para me dedicar muito tempo à observação, fiquei um pouco mais de 1h30, o barulho é intenso, o calor é grande, até tentei arriscar dançar, mas me deu vergonha, não me senti a vontade, ali definitivamente não é o meu lugar, talvez com o tempo eu consiga, mas o ambiente não me é familiar, com esse estranhamento é melhor não insistir.

Na saída a rua estava tomada, uma grande multidão querendo entrar no local que já estava cheio, na rua muitos carros e motos, foi difícil manobrar e sair, os motoqueiros faziam arruaça, mas como temos amor a vida ficamos esperando o melhor momento de conseguir passar pelo tumulto e ir pra casa. Que aventura!

Sai de lá com a sensação de dever cumprido, foi muito proveitoso, com certeza precisarei voltar, dessa vez com permissão para gravar. Não sei se vai ser possível mas de qualquer forma, vou arriscar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Encontrando Kelvis Duran






Outra vez me desloco de Piedade para TV Nova em Olinda, desta vez por uma ótima causa, preciso entrevistar Kelvis Duran “ O Príncipe do Calypso”, primeiro tratei com D. Graça, empresária, uma senhora supersimpática, foi bem receptiva e ficou muito interessada na pesquisa, o que já me deixou a vontade para tratar sobre o próximo passo, período de observação e entrevista em profundidade, registrado em vídeo para futuro documentário.

Ela topou de cara ele também.

O grupo chegou por volta das 16:15 para se apresentar ao vivo as 17:00, Kelvis, um casal de bailarinos e a vocalista que divide cena com ele, foram se trocar e iniciei a conversa com D. Graça, me pareceu extremamente esclarecida e bem resolvida no seu trabalho, sabe o que quer para seu artista. Crítica e de idéias claras e objetivas, ela resume o porque de o Brega ter perdido espaço na mídia dizendo que as próprias bandas se destroem entre si, que existe um canibalismo, e que ao invés de se juntarem pra fazer o negócio direito muitos brincam de “fazer banda”, incham o mercado, brigando por espaço em casa de shows e cobrando cada vez menos por um show, gerando um mercado de baixo nível, baixa qualidade e causando o fim delas mesmas. São cachês baixíssimos, que não sobra nem para transportar os integrantes da banda, que se deslocam de ônibus, que acabam o show e ficam na rua, sentados nas calçadas, esperando ônibus, ou a sorte de uma carona. Não conseguem produzir um bom figurino, não tem boa qualidade nas gravações, dependem de favores.

Alega que seu diferencial está em não aceitar cachês baixos para não perder a qualidade do seu produto, e como o mercado local está inchado e com cachês insignificantes ela leva a banda dela pra fazer show no interior, e pra eles não falta apresentações, até 3 por semana.

Kelvis é uma pessoa sossegada, não parece afetado pelo “estrelato”, me recebeu bem e me deu algumas informações valiosas, que não posso falar agora para evitar “espionagem intelectual”. Apesar do seu diferencial ele tem as mesmas origens e os mesmos hábitos culturais e de consumo dos outros tantos que entrevistei, aceitou ser um dos meus personagens de observação e reconhece que o mercado da mídia se fechou para o Brega, de alguma forma, depois do episódio do envolvimento daquele apresentador, que não convém mencionar, com prostituição e abuso de menores. O ministério público e seus ajustes de condutas, e a censura interna dos programas de alguma emissoras causaram uma crise de identidade no Brega, alguns foram cantar suas músicas em ritmo de forró, outros vestiram mais roupas e tiraram os conteúdos picantes das letras, outros simplesmente acabaram, e outros voltaram para a periferia, onde podem cantar o que querem, vestir o que querem, dançar com querem e sempre vão ter seu público, como sempre o tiveram mesmo antes de invadir os meios.

Entrevistei os componentes da banda, também estão na média da estatística, seus hábitos culturais e de consumo não fogem à regra.

A apresentação no programa é curiosa pois o figurino a la Michael Jackson e os movimentos a la Rick Martin nos deixa claro suas influencias, imaginem juntos a roupa do Pop com o rebolado do ex-Menudo e as letras do príncipe do calypso? FENOMENAL é muita hibridização, é muito ressignificação.

O certo é que estou tentando me adaptar ao meu objeto, é um processo rico e de construção paulatina do conhecimento sobre ele, é quase impossível não vir com conceitos preconcebido, mas tenho muito o que aprender e que limpar todas as obviedade que achei que encontraria e reconstruir meus conceitos.