sexta-feira, 23 de julho de 2010

Imagens Show gravação DVD Kitara (Fotos: Orkut Kitara)

Algumas imagens das andanças para investigação de doutorado. Banda Kitara, Show gravação 1º DVD, Clube Portugês. Julho/2010.







terça-feira, 20 de julho de 2010

Devendo satisfações


Estive ausente, muito trabalho, muitos acontecimentos, muitos obstáculos, muito estresse.

Vou logo avisando: quem pretende fazer doutorado e não tem nem pra margarina, arrume quem banque, ou é trabalho perdido. Tentei uma bolsa pela CAPES, fui aprovada em todas as instâncias e logo na entrevista alegaram que fui deficitária em explicar o porque do doutorado ser feito fora do país, aí eu lhe digo, se me aprovaram lá, se tiveram interesse pelo meu tema lá, se aqui enfrento resistência por ser um tema de segunda categoria... por que o faria aqui??? O que senti foi preconceito quanto ao objeto, o Brega, mas nem sequer se aprofundaram na aboradagem que seria dado ao mesmo. Pois o que estudo hoje é um movimento vivo, que transita entre o apogeu e o ostracismo nos meios de comunicação. Que usos essas pessoas fazem das ferramentas audiovisuais y das novas tecnologias nos contextos populares da produção e consumo do Brega nas periferias de Recife. Qual o papel dos meios, da internet, das lan-hauses, dos sites de relacionamento e dos sites de compartilhamento. Qual o papel da pirataria nas suas rotinas produtivas? Ao que parece isso não interessa a academia... Essa é a hora de estudar esse fenômeno, crescente e vivo nas peroferias do mundo inteiro.

Dei um tempo também nas gravações para o documentário, acabou a grana, estou sem HD sem espaço no computador, nem na câmera... Glauber, hoje é dificil fazer cinema com câmera na mão e idéia na cabeça, existe uma coisa chamada HD que quando dá pau, leva todo seu trabalho pro quintos dos infernos. Já perdi 360 giga de imagens, a sorte é que os depoimentos estavam transcritos, o que salvou meu trabalho escrito.

Estou sem tempo para postar mais, tenho imagens ótimas, minha pesquisa está muito rica, estou acabando de escrever a primeira parte, a investigação quantitativa, que vai ser avaliada em Novembro, quando faço a qualificação, Leitura da tesina e tribunal de suficiencia investigadora.

Devo confessar que tudo influe nessa hora, família embaixo dágua com as enchentes, resultado da bolsa que não saia nunca, e quando sai acaba de fuder, troca de medicação para controlar diabetes, insulinas novas, tratamento novo, glicose nas alturas, pressão nas alturas 18/12, a beira de um ataque de nervos, RIVOTRIL.... Pra salvar a vida de uma ansiosa. Mas já estou melhor e vou tentar postar mais vezes.
Nos vemos Por aí...
Por aqui!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Em Brasília... Lugarzinho UÓ!!!


As coisas estão começando a mudar. Cada coisa a seu tempo, um passinho de cada vez, daquele jeito que me deixa louca, estressada, ansiosa e o carai de asa.

Semana cheia, estouem Brasília para entrevista da CAPES de bolsa doutoral. Acabo de descobrir que faço parte de uma elite intelectual no nosso país e dovo estar feliz mesmo que não sai bolsa pra mim. Tá, mas eu só quero a bolsa, não me interessa fazer parte dessa elite se eu não tiver dinheiro pra comer e continuar pagando meus estudos.

Só falta dizer que Brasília é UÓ, não dá pra sair por ai pernando, vendo coisas e tirando, é um dominó mexido numa superfície imensa. TUDO Ë LONGE PRA CARALEOW. Ainda n4ao consegui ver nada, e de verdade nem me interessa... se der amanhã faço um tour, se for barato, pq se for caro nem isso. Compro um postal, ou baixo foto da internet como essa que tem aqui.

A entrevista é amanhã, quarta 26/05 9:30 da manhã, corrente de pensamentos positivos.
Outra novidade é que final mente saiu minha primeira publicação internacional, eu tenho um livro! tudo bem, sem exagero, eu tenho um artigo en um livro, mas isso é bom de mais da conta.

Estou super feliz, obrigada aos meus amigos e aos meus amores que estão sempre por aqui torcendo por mim enquanto eu sigo Por aí...

Bjs.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O retorno da Deusa. Em grande estilo.








Sábado, 23 horas, chuva que Deus mandava, saimos de Candeias com destino ao Alto do cèu, periferia norte, Clube Bela vista.

Grande retorno de Michelle Melo ao Brega, mais especificamente à Banda Metade. Chovia muito, o que comprometeu a quantidade de público, mas não comprometeu em nada o retorno da "Deusa".

De cima do seu salto 22 a deusa chega pelo "oitão" do clube, um beco escuro e pedregoso, escoltada por seus produtores e sua fiel escudeira Poli Cristina. Traz consigo uma mala de viagem imensa, e nela o o figurino novo: corpete vermelho e preto, peruca vermelha, cinta liga preta. Antes de mudar de roupa a diva recebe seus fãs no camarim, uma fila enorme se forma do lado de fora e um a um os fãs entram para declarar seu amor à musa inspiradora.

Ela em seu corpo voluptuoso e cheio de curvas recebe cada um deles de braços abertos e sorriso no rosto. " Eles não me abandonam!" Recbe beijos e abraços calorosos, presentes, declarações de amor em forma de tatuagem, um coração fechado com a frase "Eternamente Michelle Melo".

A iluminação do palco é precária, por causa da chuva as luzes de frente não podem acender, o que compromete um pouco o visual do show. Mas quando a deusa sobe ao palco e começa a cantar, acochada em seu corpete vermelho, o público lança mão de suas armas: celulares e câmeras fotográficas digitais onde gravam e fotografam todos os momentos daquele retorno histórico de Michelle Melo ao Brega. É lógico, no dia seguinte tudo estará na internet, youtube, orkut e comunidades afins.

Michelle canta seus maiores sucessos levando o público, que canta junto, ao delírio. Canta parte do seu novo repertório, ainda pouco explorado, mas já na boca dos fãs. Ela sobe, desce e rebola com destreza, sem muitos problemas com os quilinhos a mais. Desencanada, exerce do alto do palco todo seu poder de sedução, inspirando mulheres, desafiando os olhares do homens e encantando o público gay, fãs que chegam aos seus pés para tocá-los, como se fosse uma santa so pé do altar.

Pausa para ir ao banheiro. Pequeno, apertado, e embora muito cheio a disputa maior não era pelo mic. mas sim pela pia, para ser mais precisa, pela torneira. Eram seis na fila do xixi e dez na da pia para molhar os cabelos. Havia disputa também pelo papel toalha para enxugar-los posteriormente. Ingenuamente perguntei por que? "Porque não temos cabelo bom que nem o seu" molham para tirar o volume e ficar soltinho. Ou seja, o movimento dod cabelos e seu volume podem comprometer o andamento da noite delas.

De volta ao show lá está Michelle, convidando um homem, "HOMEM", da platéia para passar no "teste da grade", sobe no palco uma grade em forma de cruz, e um homem começa a ser atado nela. Michelle começa a cantar e literalmente roçar seu corpo, boca, pernas, mãos, no corpo do indivíduo esperando uma reação. Enquanto isso a platéia atônita grita: " ESSA COCA É FANTA!!!". Ela recomeça seu exercício de sedução, desta vez com mais afinco, e nada, o rapaz não esboça nenhuma reação aparente. O que poderia sugerir um baixo poder de sedução, pela reação do público, segere "defeito de fabricação" do rapaz. Ela o liberta, diz algo em seu ouvido e dá uma gargalhada. Deixa seu parceiro de banda comandar o show e vai trocar o figurino.

O show com seu parceiro fica meio morno, mas na segunda música pra alegria geral da nação, ela retorna com uma blusa preta com Madonna estampada na frente, curta e decotada e mais uma vez dá um show de provoações no palco.

Michelle Melo o ídolo popular que encanta mulheres e homens, sejam lá quais forem suas preferências sexuais, representa a sensualidade e a sedução popular, com um corpo popular "rabelaisiano", livre de complexos, pudores e preconceitos, símbolo de fartura de carne, sexo gostoso e de felicidade.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Brega na classe média é moda?




Escrever uma tese é um trabalho árduo, que exige disciplina, concentração, perseverança, y antes de tudo é um trabalho extremamente solitário. É claro que tem sempre alguém querendo saber como as coisas estão, se seu trabalho está progredindo, se você precisa de alguma ajuda. Mas é só.

É certo que também temos alguns anjos da guarda, pessoas que se dispõe a te acompanhar no campo. No meu trabalho um acompanhante é fundamental, tenho me metido em alguns lugares da periferia onde é impreterível alguém estar junto comigo, o risco não está exatamente nos locais que frequento em busca do meu objeto, mas nos acessos a eles, e como nem sempre sei chegar a esses lugares algumas vezes tenho que parar pra perguntar, o que muitos consideram arriscado.

O que é certo é que minha pesquisa tem tomado um rumo muito interessante, tenho feito boas descobertas, trabalho em cima de um objeto riquíssimo que me permite fazer diversas abordagens, é um elemento vivo que a cada momento me mostra uma nova faceta. É diverso e apaixonante. Ele fala, e a cada instante me aponta seus próprios caminhos.

Acho incrível que tenho lido muita teoria, tenho também lido trabalhos de outro investigadores, mas vejo que os objetos em geral aportam muito pouco, todos se detem muito à teoria e o objeto meuio que se perde dentro dela. O que está acontecendo com meu trabalho é que de tão reprimido, exilado, e bombardeado por toda sorte de críticas e preconceito o Brega tem resistido firmemente e procurado seu espaço, à sua maneira eles vão se infiltrando, mantendo seu posto hegemônico nas periferias e entrando cada vez mais nos salões e festas de jovens de classe média, retomando espaço nos meios massivos e tento éxito inclusive no âmbito publicitário, anunciando produtos populares.

Outro fato interessante na pesquisa é ver que a maneira de consumir do "Bregueiro" diverge da classe média, não só em valores mas em hábitos e gostos. O Bregueiro de bairro não desce o morro pra ver o brega no ambiente classe média por que o ingresso é caro, a ceveja é cara, o tiragosto idem, já o jovem de classe média não arrisca seu carro, seu relógio, carteira, celular de última geração ou a vida, para consumir o brega na fonte. Diferente do que ocorre no Rio de Janeiro nos Bailes Funk. Daí que me surge a dúvida, brega na classe média é moda? Que tipo de valor está sendo imputado ao brega nestes ambientes? Porque o Brega consumido nas periferias tem status de cultura, cultura híbrida, cultura periférica, e no seu habitat natural eles são hegemônicos, são o centro. Não raro eu como pesquisadora me sinto à margem dos acontecimentos, sou extrangeira, periférica. O que já chegou a me incomodar, mas logo percebi que para estudá-los não necessito ser um deles, mas respeitá-los, deixá-los falar, serem eles mesmos, e hoje mais que respeito, tenho verdadeira admiração pelo movimento, pelos seus artistas e consumidores. Pelas suas rotinas, por suas vidas, suas histórias.

Vou deixando vocês por aqui e retomando meus escritos e minhas gravações por aqui.
Nos encontramos Por aí...
Bjs

terça-feira, 20 de abril de 2010

A material girl do brega está de volta. Schneider Carpeggiani JC 20.04.2010

» SHOW
Schneider Carpeggiani- carpeggiani@gmail.com

A material girl do brega está de volta
Publicado em 20.04.2010

A vocalista Michele Melo, agora sócia de 50% da Banda Metade, chega hoje ao Armazém 14 com a festa Segura a chapa, depois de arrebentar bilheterias em casas noturnas do subúrbio



Michelle Melo é Balzac, é Flaubert, de tanto que filosofa sobre aquilo que a tradição burguesa fez a gente chamar de romance. “A mulher quando ama fica ‘muleca’”, teoriza. Mas parece que a teoria (por enquanto) deixa pouco espaço para a prática. Não há tempo em sua agenda para qualquer “mulequice”. “Eu disse a todo mundo da banda para colocar a vida pessoal de lado um pouquinho. Há muito trabalho para ser feito”, confessa a vocalista e (agora também) sócia de 50% da Banda Metade, com a segurança de uma estrategista em campo.

Não é fácil dispor da atenção de Michelle por estes dias. Seu retorno à Banda Metade restituiu sua aura de popstar do brega recifense, ou melhor de primeira e única popstar do brega recifense. “É tanto amor que a gente tem recebido que eu não acredito. O povo me trata como uma deusa. Teve uma menina que pulou no palco e puxou um pedaço do meu cabelo”, lembraria a cantora mais tarde para a reportagem do JC. Mais tarde, só mais tarde, porque ela nos deixou quase duas horas esperando na Praça de Alimentação do Shopping Boa Vista (a ideia do local foi dela), sexta passada, para a realização dessa entrevista. A espera compensou.

Em meio a bandejas do restaurante Bonaparte e ao cheiro de self-service de comida chinesa ao lado, ela surgiu em nossa direção: cabelo louro em profusão, minissaia, blusinha com estampa da Madonna (“Uma artista completa”), um celular tocando sem parar, a produtora e o novo companheiro de palco, Thiaguinho. Uma popstar sempre se atrasa e nunca chegaria sozinha, lições incontornáveis que Michelle sabe de cor. O brega é rock’n’roll.

“Meu amor, me desculpe, que está uma loucura. Só hoje tem dois shows”, disse, meio ‘muleca’, sabendo que era impossível negarmos o perdão nesses termos. O retorno da cantora ao palco aconteceu mês passado, com um show no Bar Bate Papo, no Arruda, e tem trafegado pelas zonas Sul e Norte do Recife como um tanque militar. Lotou o 100% Brasil, arrancou suspiros do público gay numa noite hipermegalotada no MKB, arrasou no QG do blues made in Domingos Ferreira que é o Audrey e hoje chega ao Armazém 14, com a festa Segura a chapa, sob a tutela Sem Loção/Putz!

Em 2010, todo mundo quer Michelle. Mas o que Michelle quer? “Este carinho tem sido ótimo, mas a galega aqui gosta de dinheiro”.

Nesses cinco anos longe da Banda Metade, Michelle tentou de tudo. Saiu em carreira solo, fez sucesso com uma música sobre um demorado banho de espuma e até se aventurou pelo forró com uma banda chamada (ah, Freud, só você para explicar) Forró Fetiche, em que aparecia provocante como uma cowgirl. “A banda continua. Eu vou colocar outra vocalista e está tudo resolvido”, discorre a empresária-Michelle e não a ‘muleca’-Michelle. “Sou inquieta, gosto de fazer coisas diferentes”.

É curiosa essa matéria impalpável e brincalhona a que chamamos de destino. Conversamos com Michelle pouco antes do último Carnaval sob o juramento de uma condição – “Não quero falar sobre o brega, hoje eu sou forró”. “Eu não podia falar sobre brega se estava fazendo forró. Precisava ser coerente com as minhas escolhas”, diz hoje.

Michelle diz que, no tempo em que ficou longe da Banda Metade, o brega manteve-se intacto como preferência maior do povo – apesar de ter incluído uma outra suingueira no novo repertório. Sucessos como Topo do prazer e Melô do babydoll (aquela que fala do amor como um fenômeno lógico da natureza, “e quando você toca em mim, ah, ah, eu fico toda molhada”) continuam tão eficientes quanto antes. O segredo da longevidade reside na interpretação sensual dessa mulher que foi a primeira a gemer no brega recifense. “Eu não forço minha sensualidade, sou tão ‘muleca’”, define-se, sabendo no fundo que esta é sua fase material girl.

» Festa Segura a Chapa com Michelle Melo e DJs Lala K, Lady KheKhe e Original DJ Copy: hoje, às 23h59, no Armazém 14. Ingressos: R$ 15, à venda no Bar Central e na Loja Vulgo