Banda Lapada – Uma lapada de amor
Melhor assim, sinto muito se
você não acredita em mim
pense o que você quiser que eu não tô
nem aí
A opnião dos outros pra mim tanto faz
Depois não volte atrás
Não, não invente jogo sujo pro meu coração
pense antes de tomar alguma decisão
não vem com esse papo que eu
não gosto de você,
não vai me convencer
Te amo e você sabe
tô te pendindo pare
se não você vai me perder
pra sempre de verdade
Confesso que cansei
eu nunca te enganei
Mas se você quiser tem sempre
a primeira vez
Sou assim não vou mudar
essa é minha verdade, meu jeito de amar
faça o que quiser de mim, faça o que você quiser
se me quiser vai ser assim
não do jeito que você quer
Sou assim não vou mudar
essa é minha verdade, meu jeito de amar
faça o que quiser de mim
essa é minha opnião
se não acredita em mim tá livre o meu coração.
Devagar Que Eu To de Salto
Banda Musa do Calypso
Mal a gente ficou já quer vim fazer amor com papo doce de mel
Quer me levar pro motel
Eu querendo sair passear por ai, pegar uma praia um cinema
Pra gente se conhecer e o tempo dizer que esse amor vale à pena
Mais você ta deixando o desejo falar mais alto que o coração
Não entre nessa ilusão não caia na tentação a pressa é inimiga da perfeição
Apressadinho eu falo mesmo
Apressadinho eu falo alto
Vai devagar que eu to de salto
Vai devagar que eu to de salto
Novo Namorado
Musa do Calypso
Composição: Elvis Pires / Rodrigo Mell
Não vou negar
Sofri demais quando você me deu o fora
Mas o tempo passa
O mundo gira, o mundo é uma bola
Pintei o meu cabelo, me valorizei
Entrei na academia, eu malhei, malhei
Dei a volta por cima e hoje te mostrei meu novo namorado
Pensou que eu ia chorar por você,
Que eu ia morrer de amor,
Que eu ia pedir pra voltar,
ah, ah, ah, ah, ah, ah
Que eu ia chorar por você,
Que eu ia morrer de amor,
Que eu ia pedir pra voltar.
Não vou negar,
Sofri demais quando você me deu o fora,
Mas o tempo passa,
O mundo gira, o mundo é uma bola.
Pintei o meu cabelo, me valorizei
Entrei na academia, eu malhei, malhei
Dei a volta por cima e hoje te mostrei meu novo namorado
Pensou que eu ia chorar por você,
Que eu ia morrer de amor,
Que eu ia pedir pra voltar,
ah, ah,ah, ah, ah, ah
Que eu ia chorar por você,
Que eu ia morrer de amor,
Que eu ia pedir pra voltar.
Mulher Não Trai, Se Vinga
Banda Kitara
Composição: elvis pires e rodrigo mell
Mulher não trai, mulher se vinga... Mulher cansou de ser traída!
Mulher se vinga, mulher não trai... Eu era boba, não sou mais!
Ficar em casa esperando você.
Ficar dizendo o que devo fazer.
Você curtindo aí a sua vida e eu perdendo amigos e amigas
Ficar te amando e você nem aí, se divertindo e zombando de mim.
Você curtindo aí a sua vida e eu perdendo amigos e amigas
Escuta meu bem, eu não fico atrás, entre o homem e uma mulher os direitos são iguais!
Baby Doll
Banda Metade
Só você,sabe me fazer mulher
Só você,faz tudo faz tudo o que eu quiser
Só você, entende o meu coração
Enche meu corpo de tesão
Vem amor pra mim
Eu estou aqui à te esperar
Ontem sonhei com você
Estava no quarto tão só
Estava tão linda, vestida com aquele baby doll (só de baby doll)
Melei minha boca de mel
Pensando só em você
Amor eu te quero
Preciso desse teu prazer
E quando você toca em mim
Eu fico toda molhada
Te juro fico logo afim
Eu fico arrepiada.
Topo Do Prazer
Michelle Mello
Sou toda sua
Faça o quiser de mim
Me use me Lambuze
Mas me faça delirar
A noite é nossa
Me faça uma proposta indecente
Estou taõ quente
Tô carente vem me amar
Me leva para o banheiro
Debaixo do chuveiro
Na sala, na cozinha, em nossa cama
Mas por favor me ama
Quero chegar no topo do prazer
Quero amar você!
Quero chegar no topo do prazer!
Eterno Amor
Swing do Amor
Composição: Daniel Silva
Passo o dia sonhando
Pensando em você
Meu amor
Eu não quero ficar nessa situação
Você sabe que eu te amo e não posso ficar longe de ti
Por favor
Meus sentimentos estão nesta canção
Tu és a mulher da minha vida
É você quem eu quero pra ficar junto a mim
Você é meu eterno amor
Não me deixe por favor
Eu te quero aqui
Nem a distancia vai tirar você de mim
Sei que também me queres o quanto eu quero a ti
É porque eu te peço
Pra ti mulher
Um lugar de reflexões, ficções, fixações, pós-verdades, e um bocado de imaginação. Desde agosto de 2008 como caderno de notas do doutorado, e depois disso passou a contar minha história vivida, este espaço guarda meus recuerdos pois não me desfaço das pessoas, nem de nossas histórias, seguimos caminhos distintos, mas a vida deixa rastros... Seguirei escrevendo novas histórias. Com liberdade e muito amor que é o que importa. Bem vindos!
sábado, 3 de abril de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Itapissuma, 14/01/2010
Antes de tudo venho agradecer publicamente ao meu amado e paciente marido, que tem me ajudado em todos os difíceis e duros momentos dessa investigação, além de estar me sustentando financeiramente, pois como todos sabem, estou trabalhando sem bolsa nem financiamento nenhum, a pesquisa é muito extensa e não tenho como trabalhar, pois dependeria de um trabalho muito flexível, que me permitisse realizar a pesquisa nesse curto espaço de tempo.
Agora, ao trabalho.
Uma quinta-feira oito da noite, depois de um dia inteiro de trabalho pego meu marido e arrasto com ele para Casa Caiada, Vamos gravar o show da Banda Kitara em Itapissuma, o propósito é gravar toda a mobilização de antes durante e depois do show. As pessoas começam a chegar, bailarinos, músicos, técnicos, amigos... Na van 16 pessoas, apinhadas umas em cima das outras, além de mim e de Ricardo que vamos em pé. Logo atrás seguem mais dois carros cheios de instrumentos, e gente, no total umas 22 pessoas da banda.
Todos seguem a risca as ordens do produtor, dono, e vocalista da Banda, são extremamente profissionais. Estão animados vai ser um show grande. Pela primeira vez tiveram im camarim só para eles com direito a bandejas de frutas, frios, água e refrigerante e disseram que eu sou “pé quente” e estava trazendo sorte a eles.
Havia muita gente e tudo funcionou muito bem, era a primeira vez que eles faziam uma apresentação para uma prefeitura, era a festa da Buscada de São Gonçalo e as atrações foram escolhidas democraticamente numa consulta popular. O Público elegeu o Brega.
Na van fomos conversando e trocando idéias com os integrantes da banda, muitos deles hoje vivem exclusivamente do Brega, pagam suas contas, ajudam seus familiares, constroem suas casas, pagam seus estudos. Alguns tem outras fonte de renda, mas fazem questão de valorizar a ajuda financeira conseguida com os shows.
Ganham pouco, bailarinos ganham R$30,00 por apresentação, músicos entre R$50,00 e R$80,00, fazem uma média de três a cinco apresentações por semana, o que dá em torno de um salário mínimo.
O pátio de eventos está cheio as pessoas dançam e aproveitam o momento de descontração sem se importar com o que os outros estão pensando, a dança é sensual, quase sexual, as vezes tão lenta que parecem não se mover, apenas esfregar-se. As caras de prazer também se revelam em movimentos de sobe e desce das mulheres nas pernas dos homens. Não tem idade, não são exatamente o que se podem chamar de bonitos, seus corpos não são perfeitos, seus cabelos não são lisos, suas roupas não são de grife, nos pés a maioria leva chinelos. São populares no real sentido da palavra e pouco se importam com o que a cultura oficial pensa do Brega que eles tanto gostam de ouvir e de dançar. Estão lá e nesse momento eles são o centro, e eu a periferia, deslocada e impressionada com a força daquelas cenas.
De repente uma confusão. A única presenciada num espaço lotado. O vocalista chama o comando da PM. Abre-se um vão no meio do público. Dois homens jovens se atracam no meio da multidão. A música para, todos ficam em suspense esperando o desfecho da confusão. Um é detido imediatamente, e o outro consegue se desvencilhar de três PMS e sai correndo. Outros PMS se juntam na perseguição e os populares também vão atrás, num breve momento o pátio que havia esvaziado volta a encher e a banda volta a tocar exatamente de onde parou: _ Fazer o “P”, fazer o “P” fazer o “P” não faço ideia do que significa fazer o “P”. Seguem. O show dura em torno de duas horas, e acaba as 01:45h da madrugada. Desmontam-se os instrumentos, tiram os figurinos, se apertam nos carros e retornamos. Que noite! Fiquei acabadaça, e imagino o quanto meu marido se lascou, chegamos em casa quase as 04:00h da matina e eles levantou as 06:30h pra voltar pro batente. Tenho mesmo que agradecer, ele me faz lembrar uma música de Zeca Baleiro:
Por ela vou pro rock ,vou pro samba, vou pro funk, vou pra tudo que é balada
Enfrento qualquer parada por Jesus caí no blues
Por ela faço tudo nessa vida insana
Quase tudo pois me falta grana , grana
Agora, ao trabalho.
Uma quinta-feira oito da noite, depois de um dia inteiro de trabalho pego meu marido e arrasto com ele para Casa Caiada, Vamos gravar o show da Banda Kitara em Itapissuma, o propósito é gravar toda a mobilização de antes durante e depois do show. As pessoas começam a chegar, bailarinos, músicos, técnicos, amigos... Na van 16 pessoas, apinhadas umas em cima das outras, além de mim e de Ricardo que vamos em pé. Logo atrás seguem mais dois carros cheios de instrumentos, e gente, no total umas 22 pessoas da banda.
Todos seguem a risca as ordens do produtor, dono, e vocalista da Banda, são extremamente profissionais. Estão animados vai ser um show grande. Pela primeira vez tiveram im camarim só para eles com direito a bandejas de frutas, frios, água e refrigerante e disseram que eu sou “pé quente” e estava trazendo sorte a eles.
Havia muita gente e tudo funcionou muito bem, era a primeira vez que eles faziam uma apresentação para uma prefeitura, era a festa da Buscada de São Gonçalo e as atrações foram escolhidas democraticamente numa consulta popular. O Público elegeu o Brega.
Na van fomos conversando e trocando idéias com os integrantes da banda, muitos deles hoje vivem exclusivamente do Brega, pagam suas contas, ajudam seus familiares, constroem suas casas, pagam seus estudos. Alguns tem outras fonte de renda, mas fazem questão de valorizar a ajuda financeira conseguida com os shows.
Ganham pouco, bailarinos ganham R$30,00 por apresentação, músicos entre R$50,00 e R$80,00, fazem uma média de três a cinco apresentações por semana, o que dá em torno de um salário mínimo.
O pátio de eventos está cheio as pessoas dançam e aproveitam o momento de descontração sem se importar com o que os outros estão pensando, a dança é sensual, quase sexual, as vezes tão lenta que parecem não se mover, apenas esfregar-se. As caras de prazer também se revelam em movimentos de sobe e desce das mulheres nas pernas dos homens. Não tem idade, não são exatamente o que se podem chamar de bonitos, seus corpos não são perfeitos, seus cabelos não são lisos, suas roupas não são de grife, nos pés a maioria leva chinelos. São populares no real sentido da palavra e pouco se importam com o que a cultura oficial pensa do Brega que eles tanto gostam de ouvir e de dançar. Estão lá e nesse momento eles são o centro, e eu a periferia, deslocada e impressionada com a força daquelas cenas.
De repente uma confusão. A única presenciada num espaço lotado. O vocalista chama o comando da PM. Abre-se um vão no meio do público. Dois homens jovens se atracam no meio da multidão. A música para, todos ficam em suspense esperando o desfecho da confusão. Um é detido imediatamente, e o outro consegue se desvencilhar de três PMS e sai correndo. Outros PMS se juntam na perseguição e os populares também vão atrás, num breve momento o pátio que havia esvaziado volta a encher e a banda volta a tocar exatamente de onde parou: _ Fazer o “P”, fazer o “P” fazer o “P” não faço ideia do que significa fazer o “P”. Seguem. O show dura em torno de duas horas, e acaba as 01:45h da madrugada. Desmontam-se os instrumentos, tiram os figurinos, se apertam nos carros e retornamos. Que noite! Fiquei acabadaça, e imagino o quanto meu marido se lascou, chegamos em casa quase as 04:00h da matina e eles levantou as 06:30h pra voltar pro batente. Tenho mesmo que agradecer, ele me faz lembrar uma música de Zeca Baleiro:
Por ela vou pro rock ,vou pro samba, vou pro funk, vou pra tudo que é balada
Enfrento qualquer parada por Jesus caí no blues
Por ela faço tudo nessa vida insana
Quase tudo pois me falta grana , grana
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Banda Kitara
Casa Caiada, Olinda, esquecida em frente a um supermercado, entrevista marcada para as duas da tarde, faltavam dez pras três e nada de ninguém aparecer... e o pior o número do telefone não estava na memória do celular, Pronto! Viagem perdida. Mas nada estava perdido, se por acaso houvesse uma lan-house por perto, por sorte havia, tenho o contato no e-mail. Finalmente consegui fazer contato, o relógio de parede atrasado marcava uma hora menos e meu entrevistado estava em casa.
A casa humilde, rua sem asfalto, portão de ferro que dá direto pra rua, na parte da frente do lado esquerdo uma pequena lan-house com cinco computadores, todos ocupados por várias crianças. Do lado direito a porta do pequeno estúdio, na frente um pôster da Banda Kitara, dentro praticamente nada, metade dos equipamentos pertence ao técnico de som que trabalha em vários desses estúdios improvisados. Alguns tripés de microfones, uma parede coberta de espuma, calor...
Me apresento, falo da pesquisa, eles logo perguntam: “_Porque tanta gente fazendo filmes sobre o Brega?”. Já são três, uns meninos de faculdade (meus alunos) fazendo sobre o Brega na classe média, Outro sobre o Conde, e agora esse... Bem esclareço que esse não é propriamente um filme, pelo menos ainda não. È uma pesquisa de doutorado, que possivelmente eu transforme em um documentário, e que é um período de observação nas práticas produtivas e de consumo nos contextos populares onde o Brega está inserido, que vou persegui-los toda a semana, entrevistas, ensaios, shows que cada momento será filmado e tudo será relatado neste caderno de notas.
Monto meus equipamentos, posiciono as luzes, as cadeiras, os entrevistados e um guri, Davi, faz questão de ficar pra ver o que ia acontecer, e aconteceu, esse menino não se aquietou um segundo, pinotou, pateou pelo pequeno estúdio até que conseguiu seu objetivo: meteu a mão na câmera e teve que ser retirado do recinto.
Recomeçamos.
São dois amigos, há vinte anos iniciaram a fazer violão clássico por meio de uma bolsa recebida por ambos, fizeram o primeiro ano depois teriam que pagar e desistiram, não tinham condições, mas queriam permanecer fazendo música. Entraram para uma banda de forró, Forró do Litoral. Vida dura, a época R$ 30,00 por show, muito trabalho e pouca recompensa. Logo pensaram: Vamos botar nossa banda e ser nós mesmos o nosso empresário. Assim o fizeram. São quase 10 anos na peleja e só agora a banda se paga, mas segundo eles: “_ A banda se paga, mas ainda não nos paga.”, tudo que entra é reinvestido em equipamentos, figurino, músicos e bailarinos. São pelo menos 20 pessoas envolvidas na produção, vinte empregos diretos, mais todo um mercado informal em torno deles. Os donos de casas noturnas que promovem shows e que empregam uma média de 50 pessoas por noite, os ambulantes que vendem seus produtos em frente a essas casas, os ambulantes que vendem produtos piratas com suas músicas, as cabeleireiras que fazem unha e escova nas bailarinas e nas vocalistas, as costureiras que se encarregam dos figurinos. Um mercado informal, que não entra em nenhuma estatística oficial, mas que tira muita gente da pobreza e que movimento economicamente as periferias do Recife e Região Metropolitana.
Eles são seus próprios empresários, músicos, compositores e estrategistas. No inicio gravavam 20 CDs e saiam de porta em porta, de rádio em rádio, apenas transferindo as músicas para os playlists das rádios, por não terem condições de deixarem os discos, repassavam nas rádios comunitárias para os DJs reproduzirem, levavam aos pirateiros para fazer cópias, tocar e vender em seus carrinhos nas ruas. Hoje dizem: “_ As rádios comerciais nem pagando eles tocam nossas músicas.” Músicas essas que fazem sucesso nacionalmente em outras bandas, e que hoje eles não recebem praticamente nada de direitos autorais, só direitos de execução, elas são apenas repassadas para outras banda, não se cobra por esse repasse, eles acham que o mais importante nesse momento é a divulgação do seu trabalho. Ai eu pergunto: Como vivem? Dá pra ser independente?
Apressam-se em dizer que sim. Muito embora em moradias humildes com muita gente dividindo o mesmo teto. Elvis mora com a família inteira, mãe que não estudou, não trabalha, não tem pensão, mais dois irmão que também não tinham empregos e alguns sobrinhos, ele sustenta todos, e para os irmãos montou uma lan-house dentro de casa, e outro se tornou divulgador das bandas.
Rodrigo hoje mora só, num apartamento pequeno perto dali, se sustenta e continua sustentando a casa da família. Seu maior orgulho é ter formado um irmão em medicina. “_Dei condições dele ir estudar, por que eu optei por não seguir os estudos, mas ele queria e isso foi muito importante para nossa família. Agora espero poder respirar um pouco, por que vamos dividir as contas, né? Ta na hora de retribuir...” Segundo eles foi muito importante ver a formatura dele a emoção da família e de ver todos aqueles médicos se formando ao som da banda Kitara. “_ Chegamos lá!”
Eles são exemplos de muita luta contra o preconceito, e de acreditar num sonho possível de “dar certo”. Hoje em suas precariedades o único motivo de reclamação é a falta de apoio do governo e das leis de incentivo, é como se fossem invisíveis e que o que fazem não é cultura, “_ A gente não quer brigar, nem tirar nada de ninguém, queremos apenas a oportunidade de ser reconhecidos e poder ser visto pelo governo como cultura. Por que se fizerem uma pesquisa vão ver que o povo gosta de Brega e que considera o Brega uma cultura.”
“_O artista de Brega não é externo ao povo, ele faz parte daquele povo, ele é o povo que deu certo, é admirado por ter conseguido chegar lá”. (Elvis Pires)
sábado, 9 de janeiro de 2010
Retomando os trabalhos
De volta depois do recesso de fim de ano percebi que em nossas vidas estamos sempre recomeçando... a cada dia, a cada segunda, a cada mês, a cada ano... Periodicamente o calendário nos dá a oportunidade de recomeçar, que bom!
Depois de um balanço no que já havia feito começo agora a fase mais dura do trabalho, a fase de literalmente correr atrás dos BregaStars, serão muitas madrugadas em claro.
O mais difícil ainda é ter que trabalhar praticamente só, contando com o imenso apoio que me tem dado meu maridão (que seria de mim sem ele???) e meu filhote (que com toda boa vontade do mundo está entrando numa realidade que antes abominava), ele tem aprendido muito da vida, do respeito a diversidade, e aberto os olhos para preconceitos velados que muitos de nós temos sobre o que não conhecemos.
Tive um choque quando li nos jornais sobre o incêndio no 100% Brasil, lastimável, ali tive os melhores momentos de minha pesquisa junto aos consumidores do Brega, confio que Carlos e sua sabedoria vai conseguir reerguer a casa e retomar suas atividades ainda melhor do que era.
Dia de Brega Fest no Clube dos Fanfarrões, Barra de Jangada, fui lá aventurar, apesar de estar autorizada a gravar, na hora o show o dono da casa empombou e não nos deixou entrar. “_ Grave seu documentário da porta pra fora, dentro da minha casa não!” Fiquei na peleja. _Peraí vamos conversar, não quero filmar seu público (embora quisesse), quero filmar só a banda e o dono da banda já autorizou...
Meia hora depois, mais tranqüilo ele volta, por que eu não arredei o pé de lá... explico novamente o que preciso gravar, explico que já fiz no 100% que Carlos o proprietário foi muito solícito, gentil e generoso, que gostaria inclusive de gravar uma entrevista com ele num momento mais tranqüilo. Ele suspira e nos permite entrar apenas no camarim... Filmamos as trocas de roupa, maquiagem, preparativos, e ainda assim consegui ir até o palco e gravar três músicas meio que escondido. Coisas de produtora teimosa.
Algum tempo antes, ainda fora do clube, reafirmei o que tenho visto nas minhas andanças pelos bailes. As pessoas, suas maneiras de agir, de vestir, de atuar, seus usos e costumes, elas fazem parte de um coletivo muito característico que é o coletivo dos bregueiros. Quando digo bregueiros, não é de forma pejorativa até por que eles próprios se denominam assim, me refiro justamente à sua se distinção: eles frequentam sempre os mesmos clubes, gostam de brega, pagode e forró elétrico (não raro os shows reúnem uma banda de cada ritmo) as mulheres bem vestidas e penteadas se vestem para seduzir, roupas justas, curtas, com brilho, cabelos na escova, chapinha e balaiagem, quando ameaça chover é aquela correria pra não desmanchar o penteado. Os homens invariavelmente de boné, o boné é um caso interessante, acessório antes usado para proteger-se do sol, hoje ele é, junto com o capacete de motoqueiro, uma unanimidade da cabeça dos homens. Já a roupa faz estilo surfista, de preferência estampando uma marca conhecida, mesmo que seja pirata, não importa. Alguns até confessam que compram roupas piratas para usar no dia a dia, mas para ir às festas tem que ser de marca boa e verdadeira. “_Tem que investir pra ganhar as gatinhas”.
Um fenômeno engraçado, só percebido agora que comecei a filmar, é que algumas pessoas (em geral homens) perguntam onde vai passar, por medo que suas mulheres os vejam. “_Pra não queimar meu filme em casa.” Um dos entrevistados assumiu que deixou a mulher em casa e que se ela soubesse que ele estava ali: “_ Ela tora meu pescoço!” Outros fazem questão de fazer poses a jogar os cabelos para aparecer. Existe um sem número de homens que dizem não gostar de Brega, mas vão por causa dos amigos e por que tem muitas mulheres dando sopa. Todos vão dispostos a gastar o que tiver no bolso, se tem R$10, gasta R$10 se tem R$50, gasta R$50, mas se tivesse mais gastariam muito mais.
O animador da festa, geralmente um DJ é um caso a parte, eles chamam os homens de raparigueiros “_Tem raparigueiro ai????” o que nos leva a concluir que as mulheres são??? Raparigas! Claro! “_Levou gaia? Se mude, não deixe seu carro na mesma garagem.” E ainda apela para as torcidas dos times locais para movimentar a noite enquanto a banda não chega: “_Cadê a torcida do Sport???” Tem ainda as gírias, mulher feia: Caça-rato. Quando você não consegue “pegar” gente nova e sempre tem aquela pessoa que no último caso você se atraca: Lanchinho.
Pois é essa semana vai ser cheia... qualquer novidade estarei postando por aqui.
Feliz ano novo a todos.
Fico devendo imagens, mas ainda não sei reduzir a qualidade da minha super câmera FULL HD, com o qual os arquivos são imensos para postar.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Universidade 100% Brasil

Iniciei finalmente as gravações das minhas entrevistas e tive a grata surpresa de conhecer Carlos, empreendedor, comerciante e piloto de rally, dono do 100% Brasil, um dos mais badalados points bregueiros do Recife. Pessoa extremamente simpática e impressionantemente inteligente.
Começamos falando do início da trajetória da casa de show que há 30 anos era um restaurante chinês "China Brasil", com apenas um caixa de som no teto e um ano após ser comprada se transformou no maior reduto da música popular (alguns vão querer me matar, porque Nem Caetano, nem Gil, muito menos Vanessa, Zeca nem Chico César passaram nesse palco)mas voltando ao popular, popular por alcance, popular por origem, popular de fato! Hoje a casa tem 10 toneladas de equipamentos de som, um palco de 50m² disputado a tapa por quem está começando no gênero, mas não é pra qualquer um não, tem que ter um certo nível pra subir no palco do 100% Brasil, em respeito ao público a banda tem que ter qualidade.
Nesses últimos 10 anos se testemunhou o sucesso de mais de mil bandas e o fim de muitas outras, muitas delas surgem e desaparecem antes de completar um ano. "_ Os 15 minutos delas, são realmente 15 minutos! Raramente uma banda dura mais de seis meses." Segundo o próprio Carlos isso se atribui ao tamanho do ego e falta de estrutura para lidar com a "fama repentina", quando uma banda explode nas paradas logo se sente muito importante deixa de atender telefones, aparecem empresários e produtores que se atravessam nas negociações, cobram preços exorbitantes, esquecem que no início quando precisam a gente ajuda, abre a casa, mas logo perdem a humildade e a origem, se negando a ter contato com o público esquecendo que é o público que compra seu disco e paga o ingresso do seu show. Não adianta que hoje você toca pro rico, amanhã o rico troca você por outro e você fatalmente vai ter que voltar a tocar para o público que você esnobou e se negou a dar autógrafos, a fazer fotos...
Hoje na sua casa tem show de Brega todas as quintas, com 04 bandas por noite, média de público varia entre 1000 e 1200 pessoas, mas já chegou a botar 2000, elas pagam R$8,00 de ingresso e consomem percapita R$100,00 em bebida/comida. É o maior vendedor de cerveja Nova Schin no Brasil, seu recorde é de 250 grades de cerveja numa noite. Paga (a vista) em média R$ 1000,00 pelo show, oferecendo todos os recursos de luz, som e publicidade, anuncia semanalmente em rádio, lambe-lambe e carros de som e trio elétrico. Quem nunca ouviu: " É HOJE... NO 100% BRASIL" Gasta mensalmente R$ 12mil em publicidade, hoje gasta muito mais que na época que tinha mídia gratuita na Tv nos extintos programas de Brega.
Acredita que o Brega caiu muito no mercado e nas tvs depois do envolvimento de um apresentador (que por razões jurídicas não comvém dizer seu nome)com abusos sexuais e corrupção de menores. Que para ele era a pessoa que movimentava o mercado com seus shows e caravanas, onde levava as bandas para fazer shows quase grátis, segundo ele "Em troca da galinha" que significa apenas uma ajuda de custo.Com a queda do apresentador caiu junto o Brega, pois era naquele programa e nos outros do mesmo gênero que as pessoas tomavam conhecimento das músicas, das bandas e dos shows. Mesmo assim o Brega ainda é mais importante que o pagode, o forró. Algumas bandas até se acabaram por isso.
Ali trabalham 50 pessoas nos shows das quintas-feira, mas o mercado que movimenta é muito maior pois do lado de fora, na rua, o shopping formado pelos ambulantes gera muitos outros empregos indiretos, talvez não se possa considerar empregos, mas é geração de renda e sustento de muitas famílias.
Para ele o que determina o sucesso e o fracasso de uma banda é a falta de profissionalização, falta de orientação para o mercado, músico já tem fama de irresponsável, "_Mas esse pessoal de banda é muito desorganizado, tem dificuldades financeiras, são muito pobres,mora em morro, tem dificuldades para comer, para se vestir, se vestem mal, poucas bandas tem um "fardamento legal", um gardarroupa legal. Isso dificulta muito a situação das bandas se manterem no topo".
Nas próximas semanas estará promovendo as festas dos melhores do ano, e o natal sem fome, as quais farei a cobertura e os deixarei informados. Quem será o melhor do Brega este ano??? Façam suas apostas...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
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